quinta-feira, 13 de junho de 2019

MIB: Homens de Preto - Internacional | CRÍTICA


Não que seja uma franquia de fãs devotos como se vê acontecer no meio do entretenimento, mas Homens de Preto deixou sua marca na infância e juventude de muitos por aí na segunda metade da década de 1990. O desejo de ter um estiloso Ray-Ban igual aos dos agentes, os efeitos visuais convincentes das criaturas divertidas e horripilantes, a alta de uma leva de filmes sobre alienígenas e Will Smith em seu crescente estrelato, além da produção executiva de Steven Spielberg e da direção irreverente de Barry Sonnenfeld (dois dois A Família Addams), sustentavam uma divertida trama aventuresca e com um toque de terror para todas as idades.

Ainda que suas duas sequências não chamaram tanto o prestígio do público, a Sony Pictures fez mais do que certo em resgatar a franquia sem anular todo o seu universo bacana de extraterrestres e apetrechos tecnológicos avançados. Tratando, então, de expandir o que deu certo no passado, MIB: Homens de Preto - Internacional aposta em seu novo elenco muito bem entrosado e numa aventura descompromissada para as novas gerações.

(© Sony Pictures/Divulgação)

Dirigido por F. Gary Gray, de Velozes e Furiosos 8, o novo MIB também se preza a atender a demanda por protagonistas femininas inteligentes e fortes logo quando X-Men: Fênix Negra ficou patinando demais e não disse muita coisa. Com Tessa Thompson tirando de letra toda a jovial independência de sua Molly/M e por representar o(a) espectador(a) que adquiriu interesse pela ciência a partir da boataria de fenômenos e fitas de ficção científica, Chris Hemsworth não vê nenhum problema em ceder os holofotes para a sua colega de Thor: Ragnarok e Vingadores: Ultimato; dupla parceria esta que se vê bastante funcional aqui também e amplificada com as presenças pontuais de Emma Thompson e Liam Neeson.

Com várias referências que colocam um sorriso no rosto dos fãs, mas sem ficar dependente de um estilo nostálgico, MIB: Homens de Preto - Internacional trilha um caminho estético parecido com o de Star Wars: O Despertar da Força. Honra-se o passado, mas o revitaliza para a vitalidade da narrativa que, por sua vez, segue o melhor – e às vezes tumultuado – esquema de incidentes que levam os personagens para vários cantos do mundo, de Londres a Marrakesh, da Itália para a França. F. Gary Gray sabe dosar bem as cenas de ação com ritmo e bom humor, embora alguns cenários de fundos digitais sejam um pouco incômodos.

(© Sony Pictures/Divulgação)

Há também um acerto nas criaturas e novos personagens. Rebecca Ferguson se diverte à beça com a sua mercenária e Kumail Nanjiani dá voz ao diminuto Pawny cujas ações tendem a ser grandiosas e que garantem boas risadas. Outros seres também impressionam por sua gama de cores e funcionalidades específicas, mas são os primeiros vilões que se destacam pelo seu aspecto cômico e que garante a cota de arrepio do longa.


(© Sony Pictures/


Com passagens realmente inventivas (é cômica a cena com alienígena que tem a habilidade de desacelerar o tempo) e diálogos afiados, ainda assim, MIB: Homens de Preto - Internacional não pretende se arriscar muito e culmina em ser apenas um programa de entretenimento com o seu quê de terceiro ato previsível, mas de estilo o suficiente para agradar a quem se interessar sem óculos escuros.



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