sexta-feira, 26 de abril de 2019

Vingadores: Ultimato | CRÍTICA


Foi um ano de confabulações incessantes desde que Vingadores: Guerra Infinita deixou milhares de espectadores desolados com seu desfecho épico, todavia trágico. Fãs trataram de rever o filme e seus dois longas subsequentes para encontrar qualquer pista sequer sobre o futuro da intitulada Saga do Infinito, fazendo pipocar teorias nas redes que analisavam sua então matéria-prima (as histórias em quadrinhos), entrelinhas de falas de seus realizadores em entrevistas e até qualquer imagem vazada de bastidores ou do vasto merchandising da franquia levava a novas suposições sobre o que poderia acontecer, enfim, em Vingadores: Ultimato

Por sorte – e com um esmero soberbo por parte da Marvel Studios como nunca visto antes –, quase tudo o que foi especulado nesse ínterim se esvai diante do espetáculo que entrega emoções extremas a julgar por seus meios e fins imprevisíveis sempre tendo em mente o agrado do fã que acompanhou este indubitável fenômeno cinematográfico e midiático que, por ora, parece se completar.


(© Marvel/Reprodução)

E é pensando justamente no fã assíduo que os diretores Anthony & Joe Russo, novamente passando para a tela o roteiro da dupla Christopher Markus & Stephen McFeely, entregam uma narrativa bastante densa no que tange ao desenvolvimento de seus personagens principais, aqueles que vimos se reunirem para a Batalha de Nova York há sete anos. Permeados pelo fracasso por algo tido como irreversível, Steve Rogers/Capitão America (Chris Evans), Natasha/Viúva Negra (Scarlett Johansson), Thor (Chris Hemsworth) e os Vingadores remanescentes buscam uma alternativa de reverter o feitio de Thanos (Josh Brolin) senão confrontando o mesmo, mas será que se manterão íntegros? No espaço, Tony Stark (Robert Downey Jr.) se vê desiludido, logo quando o Homem de Ferro era o mais incansável e aquele com alternativas constantes, mas é na emanação de sua humanidade falha que faz Nebulosa (Karen Gillan) compreender o que é ter afeição por alguém além de sua meia-irmã. De antemão, todo o elenco está ótimo e transparece sua dedicação em tornar crível toda essa amargurada circunstância e seus próximos esforços. 

(© Marvel/Reprodução)

Com isso, haja exposição no texto! Explicações verbais cobrem lapsos que poderiam ser resumidos em poucos planos visuais sobre a vida das personagens, mas, para quem já está suficientemente afeiçoado por esses tantos heróis, isso não é de todo o mal tendo em vista que os roteiristas sabem dosar o humor quando é preciso, especialmente quando a trama engrena com termos mais científicos – o que implica em pequenos furos e "licenças poéticas". Desde tiradas inteligentes a simplesmente debochadas, é ótimo notar que Paul Rudd e Bradley Cooper continuam ilustres e amplificam seus papéis tornando Scott Lang/Homem-Formiga e Rocky Racum nos personagens mais divertidos do longa, embora a irreverência de Downey Jr. se mantenha (três mil vezes) radiante.

O inevitável


(© Marvel/Reprodução)

Aprimorando a sua destreza no comando de sequências de ação, os irmãos Russo elevam todo o seu portfólio a um novo patamar que, definitivamente, faz aumentar a frequência cardíaca tamanhos incidentes frenéticos e muito catárticos. Ainda que a Capitã Marvel (Brie Larson) tenha se tornado um deus ex machina de brilhar os olhos, os cineastas detêm um equilíbrio entre o suspense (repetindo movimentos e enquadramentos já vistos em outras ocasiões) e surpresas que não desmerecem em nada a linguagem cinematográfica. Seja por um elegante plano-sequência em Tóquio, um close de um olho lacrimejante ou uma câmera baixa reforçando o poderio dos heróis diante de um inimigo, pouco se faz com gratuidade e há até mesmo uma sublevação da violência explícita.

(© Marvel/Divulgação)

O que nos faz chegar ao clímax progressivo de Ultimato. A trilha sonora de Alan Silvestri brada o tema heróico em variações (pouco inspiradas) que compactuam com a bravura em cena e a escala, enfim, chega aos níveis de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (o que me fez repensar na minha consideração de Guerra Infinita…), mas de uma forma que viabiliza o conceito do épico para a contemporaneidade sem o distanciamento temporal típico do rótulo, favorecido com uma tonelada de efeitos visuais que não deixam nem um pouco a desejar.

(© Marvel/Divulgação)

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, no original) é um filme sobre redenção – e isso implica em quase todas as suas significações. Excetuando trechos supérfluos e um momento talvez desconfortável por seu americanismo latente logo quando as audiências internacionais sempre foram importantes para o sucesso da franquia (isso que não vamos entrar no caso do dízimo de sessões de filmes locais para comportar a demanda por super-heróis), existe aqui uma maestria ao retratar desde gestos de altruísmo a simples atos de perdão que são indefectivelmente universais e sentidos em qualquer canto quando se há uma honesta dedicação em fazer tudo bem feito (seriam os tantos milhões de dólares apenas consequência?) tal como um drama que emociona mesmo tendo recursos mínimos.

(© Marvel/Divulgação)

Que os finais sejam inevitáveis e difíceis de acatar, já não é preciso mais cenas pós-créditos para fomentar a empolgação de testemunhar um projeto de tamanho porte outra vez sendo que, para isso, não faltam possibilidades.




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