segunda-feira, 3 de junho de 2019

Aquele Casal | CRÍTICA


Excetuando minhas considerações acerca dos curtas integrantes de uma sessão da Mirada Paranaense no 7º Olhar de Cinema, não é sempre que tenho a oportunidade de prestigiar e também criticar as produções daqueles que foram meus colegas de curso num passado recente ou já distante – ainda que exista um certo estigma sobre um texto quiçá parcial ou um receio por conta de desinteresse do público e (como já vi acontecer) dos próprios realizadores. 

No caso de Aquele Casal, curta-metragem de produção da paranaense Imagística Filmes, a responsabilidade de tecer uma crítica é grande, afinal, trata-se de um filme realizado por ex-colegas meus do Curso Técnico em Produção de Áudio e Vídeo do Instituto Federal do Paraná: William de Oliveira, diretor e roteirista; Daiane Martins, produtora; Tamiris Tertuliano, editora; além das calouras Patricia Carvalho, responsável pela assistência de fotografia, e Halyne Czmola, aos cuidados do som. Ainda fosse um texto por meras honras aos devidos méritos da equipe, acontece que, ao final dos seus vinte minutos de projeção, é com muita satisfação que escrevo acerca deste curta que, desde já, surpreende e emociona por sua trama pertinente que não poderia compreender melhor a sua agonizante contemporaneidade.

Aquele Casal narra uma situação triste e revoltante por, inúmeras vezes, ser tratada com pouco caso num cotidiano onde tudo culmina em opiniões taxativas e irredutíveis de preconceito desmedido. Com sua narrativa sagaz ao permitir que os gestos e ruídos falem muito mais do que diálogos (estes, por sinal, sempre mínimos e ásperos), o filme apresenta um casal vivido pelos atores Luiz Bertazzo (Circular) e Vinicius Sant em momentos de uma intimidade fragilizada: ambos surgem com ferimentos no rosto e um braço enfaixado. Um procura acariciar o parceiro em momentos específicos, mas existem barreiras invisíveis que não remetem apenas à dor física, como ambos irão perceber no ambiente de trabalho, na visita à mãe e até mesmo na esfera virtual – a pior de todas.

Com um formidável trabalho combinado da fotografia de Eli Firmeza e da direção de arte de Nicole Micaldi, que imergem a vida do casal em uma melancolia azul onde tons de amarelo e roxo se fazem forças antagônicas, ressalto também o trabalho radiante que a atriz Cinara Vitor contribui para determinada parte da trama. Seguro e ciente do que tem em mãos, William faz aqui um trabalho verdadeiramente cinematográfico e honesto que raramente se vê em nosso cinema local – uma narrativa contundente que nos faz acreditar no poder da resiliência dos gestos de amor e em filmes que recorrem à arte para sua necessária expressão.




Aquele Casal integra a mostra de curtas da Mirada Paranaense do 8º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, com exibições nos dias 8 de junho (sala Espaço Itaú 3, às 16:45) e 9 de junho (Sala Luz do Cine Passeio, às 18h30).

Ingressos a R$14 e R$7.

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