segunda-feira, 2 de março de 2026

CARA DE UM, FOCINHO DE OUTRO …e diversão garantida | CRÍTICA



Em sua mania de grandeza (ultimamente, mais por quantidade do que qualidade), fazia tempo que a Pixar não nos presenteava com um bom filme, daqueles que sempre nos foram um conforto atemporal por suas narrativas amistosas à parte de sua excelência em animação. Passado o hiperativo Elio e outras tentativas não tão aclamadas com histórias originais, Cara de Um, Focinho de Outro (Hoppers, no original) tem tudo o que precisamos pra nos divertir e emocionar no hábitat certo.


Escrito e dirigido por Daniel Chong (criador da série animada Ursos Sem Cursos), aqui, acompanhamos Mabel, uma jovem que tem em seu instinto defender a natureza, sobretudo quando o progresso urbano capitaneado pelo Prefeito Jerry ameaça toda a vida animal no bosque que costumava visitar com a avó. Pró-ativa, a "rebelde" com causa nobre descobre que sua faculdade (onde mal frequenta aulas) possui um programa secreto de transferir a mente humana para um robô animal e, com isso, busca uma revolução dos bichos ao se aproximar do acomodado castor Rei George.


(© Disney/Pixar/Divulgação)

Apesar de ser uma narrativa original em seu estúdio, Cara de Um, Focinho de Outro ecoa histórias já conhecidas da tela que vão desde Avatar (não por menos, a referência é falada), Vida de Inseto, Game Of Thrones (o que entra a dublagem de Renata Sorrah/Meryl Streep, no original), além de outras animações como Os Sem Floresta (até mesmo pelo estilo cartunesco) e até PomPoko: A Batalha dos Guaxinins, do Studio Ghibli. Há também uma ótima referência a Os Pássaros logo quando o plano de Mabel toma uma escala acima do seu controle.


(© Disney/Pixar/Divulgação)

Com visual fofinho (ainda mais quando assistimos aos bichos na perspectiva dos humanos) e até icônico (coisa que Elio não conseguiu mesmo no campo da fantasia espacial), ver Cara de Um, Focinho de Outro é um deleite e tanto com suas reviravoltas que nos pegam de surpresa mesmo com as pistas evidentes. Por mais que esteja até um pouco ofuscado pela campanha de divulgação de Toy Story 5, a animação se destaca também por sua mensagem ecológica que andava sumida para os pequenos e até para os adultos, mas que aqui se faz na abordagem certa sem incomodar (tanto) quem tem chiado com qualquer nova produção da Pixar, que segue a encantar. 



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