terça-feira, 11 de junho de 2019

Tel Aviv Em Chamas | CRÍTICA (8º Olhar de Cinema)


A julgar apenas por seu título, Tel Aviv Em Chamas (Tel Aviv On Fire, no original) dá a entender que seu conteúdo pode se tratar de (mais) um documentário acerca dos conflitos intermináveis de Israel com Palestina ou ainda, à moda blockbuster, uma ficção com um final verdadeiramente catastrófico. Por incrível que pareça, a produção dirigida por Sameh Zoabi se inclina mais para a segunda alternativa, porém de uma forma jocosa ao retratar os bastidores de uma popular série de TV da forma mais clássica o possível.

Contratado pelo tio que é produtor do seriado-título, Salam (Kais Nashif) deveria apenas refinar os diálogos em hebreu da trama situada na Guerra dos Seis Dias de 1967 que circunda uma espiã e um general israelense, mas, entre sugestões pertinentes aqui e ali, o homem endividado e que ainda mora com a mãe fica a cargo de assumir a roteirização do restante da série. Pouco acostumado à escrita,  Salam quer impressionar uma antiga paixão, mas cai nas inspeções rotineiras dos postos de controle entre Ramala e Jerusalém, sendo questionado por um oficial que, ciente do sucesso da série com as mulheres na sua casa, começa a contribuir com sugestões que vêm e muito a calhar ao programa.

Contribuições entre Salam e Assi traçam um destino hilário ao casal da série. (AdoroCinema/Reprodução)

Até certo ponto, porém. Na intenção de agradar a esposa, o Capitão Assi (Yaniv Biton) sabe que Salam é devagar no quesito criatividade e assume uma conduta impositiva, ainda que o roteirista estreante não se dê por vencido. A cada contribuição que deixa o rumo para o final mais obtuso, o filme é garantia de risadas. Desde os cenários bregas da série com fundos de fotos estáticas, as interpretações canastronas das personagens de Tala (Lubna Azabal) e seu par romântico, às confusões nos bastidores, Tel Aviv vai conquistando o espectador com sua montagem bastante fluida que conecta o processo de escrita para, em uma cena seguinte, vê-la se materializar no set.

Relegando a um segundo plano as questões políticas dos países a não ser com algumas sugestões de planos e até pelo fato de tornarem o tom da série menos "antissemita",  a impressão que fica é que Tel Aviv Em Chamas foi moldado para agradar as audiências não só de sua região, mas como aquelas desse lado do Atlântico, ainda mais com referências hollywoodianas. Integrante da Competitiva do 8º Olhar de Cinema e detentor de uma experiência mais convencional do que a da maioria do tomo do festival, o filme acerta em sua atividade cômica e metalinguística sem exigir demais de si e de seu público.



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