É tudo uma questão de perspectiva …e de querer propor inovações coesas e relevantes. Entre remakes supérfluos ou de puro mal gosto, os clássicos monstros do cinema ganharam tantas releituras ao longo das décadas que, no fim das contas, foram diminuindo sua imponência no terror tamanho desgaste de imagem pela repetição pouco aprazível. Desvencilhando das velhas mesmices, A Noiva! é surpreendentemente um monstro cinematográfico no melhor sentido possível.
Dirigido e escrito por Maggie Gyllenhaal (em sua segunda empreitada em longa-metragem após A Filha Perdida), o filme é uma versão totalmente anárquica, neogótica, noir e até metalinguística para A Noiva de Frankenstein, mas também uma lição para tudo o que Coringa: Delírio a Dois tanto se vendeu, mas nunca foi. Dizer também que a trama, situada nos Estados Unidos da década de 1930, se concentra na busca de "Frank" (Christian Bale, o ator certo pro papel) em busca de um relacionamento seria minimizar todo o contexto que Gyllenhaal empreende com afinco. Capitaneada por uma enérgica Jessie Buckley, fazendo de sua premiada performance em Hamnet ser quase nada perto do que contemplamos aqui, a narrativa dá voz e alma para a perspectiva feminina, o que compreende mais do que um conto de uma mulher reanimada tentando se adaptar a companhia de um monstro enquanto tenta resgatar vislumbres de seu passado e de outra visita romântica em sua mente.
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| (© Warner Bros. Pictures/Divulgação) |
Frenético e autêntico em repaginar Frankenstein diferente das roupagens piegas em que foi submetido enquanto celebra o intelecto feminino (como se não bastasse a explosão que é Jessie Buckley, temos as ótimas performances de Annette Benning e Penélope Cruz), no fim das contas, o filme é ainda uma obra sobre Mary Shelley que, em um desafio quanto as suas capacidades, alcançou a eternidade.
Assista ao trailer:



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