quinta-feira, 27 de junho de 2019

Annabelle 3: De Volta Para Casa | CRÍTICA


De suas pontuais aparições nos dois longas de Invocação do Mal e daí ganhando dois derivados para chamar de seu – sem contar outros três recentes "Easter Eggs" onde não era esperada –, não há como negar que a encapetada boneca Annabelle se tornou uma estrela do Cinema de Horror contemporâneo. Tão icônica e rentável para a Warner e para a New Line Cinema que, juntamente com o produtor James Wan, já perderam os receios de não se aterem apenas aos "fatos reais" e, assim, explorarem as possibilidades com tantos casos sobrenaturais do casal demonologista em uma guinada cada vez mais fantasiosa, Annabelle 3: De Volta Para Casa é a prova de que a franquia continua segurando o interesse e provocando muitos arrepios, especificamente, ao grande público adolescente.

Situado entre os eventos do primeiro Invocação do Mal e último capítulo em sua (até então) trilogia, pode-se dizer que Annabelle 3 volta-se ao seu resgate daquelas narrativas de crianças amparadas por babás enquanto os pais estão fora e deixando a casa, na bem da verdade, à beira de muitos riscos; algo que deve gerar uma ou outra comparação distante com o estereotipado A Babá. Roteirista experiente na franquia e diretor de primeira viagem, Gary Dauberman acerta na escolha de centrar praticamente todas as ações nos cômodos da casa da família Warren e até repara algumas derrapadas narrativas que cometeu em A Freira e até nos Annabelles anteriores, ainda mais quando se dedica a construir as três personagens principais que nos guiam por esta desventura enevoada e suscetível a quedas de energias e tantos sustos.

(© Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Mesmo tendo Patrick Wilson Vera Farmiga retornando como o Ed e Lorraine Warren, a narrativa circunda a filha do casal, Judy (agora interpretada por Mckenna Grace), sua babá, Mary Ellen (Madison Iseman) e a amiga desta, a curiosa Daniela (Katie Sarife), que vai mexer aonde não se deve e gerar toda uma noite de terror para as meninas – e quem mais se envolver nessa. Considerada um canal demoníaco que atrai outras assombrações, a boneca-título logra dos pontos fracos da menina e das duas adolescentes em um perverso jogo desprovido da ajuda do perito casal.

Assustador sem deixar de lado a diversão e o apelo emocional, é interessante como Dauberman consegue guiar sua narrativa sem precisar de uma decupagem virtuosa a la James Wan, contando com a boa direção de fotografia de Michael Burgess na experimentação de fontes de luz como adereços cênicos de importância narrativa. Com o maior destaque sendo as revelações a partir das luzes coloridas projetadas pelo abajur no quarto de Judy, outras cenas com lanternas, televisores de tubo e até uma projeção de filme de exorcismo se revelam inventivas, tal como o uso do som ao, por exemplo, ao tocar e interromper músicas de letras irônicas como sinal de má presença nos recintos; em outra situação, uma ouvida do lado de fora da casa diverte pelo seu teor inesperado.

(© Warner Bros. Pictures/Divulgação)


Projetando-se facilmente como o melhor dos derivados de Invocação do Mal, Annabelle 3: De Volta Para Casa (Annabelle Comes Home) mantém a irreverência de sua personagem provando que ela consegue dar calafrios mesmo portando-se imóvel mediante a projeção de luzes que sempre geram sombras medonhas em seu rosto – e chega a ser irônico o fato de que outro personagem, de índole semelhante cujo auge já passou de vinte anos, tenta a sorte com um reboot aparentemente claudicante à mesma época do lançamento. Com seu futuro incerto mesmo com um The Conjuring 3 a caminho, este Annabelle abre possibilidades para novos spin-offs e suas entidades potencialmente horripilantes.



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