quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Subterrânea | CRÍTICA (10º Olhar de Cinema)

Silvana Stein e Negro Leo em SUBTERRÂNEA

Esse talvez seja um dos filmes mais inesperados e divertidos que eu poderia esperar assistir na 10ª edição do Olhar de Cinema. Flertando com as tramas fantásticas de arqueologia, o que o diretor Pedro Urano faz com Subterrânea é uma doida, mas curiosa aventura que funciona dentro dos limites da suspensão da descrença enquanto uma reflexão de sua metrópole.


A par de todas as desgraças acometidas no Rio de Janeiro (bom, o cineasta não cita a mais nefasta de todas…), o roteiro de Urano flerta com o clássico cinema de aventura com uma trilha que evoca um mistério crescente tal como John Williams enunciava em Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, somando aí esquisitices surreais típicas do David Lynch e um papo metafísico curioso por remeter a obra de Lima Barreto e até mesmo patrimônios históricos da capital carioca. Era pra ser uma vistoria comum para a Professora Stein (Silvana Stein) e seu assistente e sobrinho, Leo (Negro Leo), mas tudo vai se convergindo para uma conspiração inestimável. Entre traduções de textos em runas e entradas em cavernas, uma caça ao tesouro bastante intelectualizada (as falas de ambos são muito concentuais).

Em tempos nos quais tópicos como multiverso e dobras no tempo se difundem na cultura pop sem necessitar tantas explicações, Subterrânea parece até um romance de resgate histórico do Dan Brown, mas com um quê de ineditismo e a ausência de vilões provenientes de organizações maléficas. Aliás, o visor de uma câmara obscura até revela antagonismos, mas eu preferia ter visto a dupla enfrentando agentes da IURD (ou, quem sabe, os tais "Guardiões do Crivella"… o que daria quase na mesma) a metalinguagem cinematográfica cantada à exaustão. A ver o que a continuação prometida por Urano há de revelar.




Além da mostra Olhares Brasil, Subterrânea foi exibido anteriormente na Mostra de Cinema de Tiradentes e no Festival Pachanama.

  

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