sexta-feira, 8 de outubro de 2021

O Protetor do Irmão | CRÍTICA (10º Olhar de Cinema)


O representante da Turquia e da Romênia na Mostra Competitiva do 10º Olhar de Cinema tem um tanto de Abbas Kiarostami, com o seu singelo Onde Fica a Casa do Meu Amigo?, e algumas similaridades com o ótimo CafarnaumO Protetor do Irmão (Okul Tıraşı, no original), tal como os outros títulos mencionados, vem a focar no esforço de um garoto em manter a sua alma inocente em meio a adultos tão perversos, vaidosos e gananciosos.

Em um internato situado entre montanhas nevadas do leste da Anatólia, Yusuf e seus colegas de 11 anos em diante tem uma rotina rígida. Passam os dias acompanhando aulas desde cedo, alimentam-se com porções estritamente racionadas, tomam apenas um banho quente por semana e ainda ficam sujeitos a castigos dos inspetores mediante qualquer mal feito (ou, em outros casos, mal entendido). Quando Memo, amigo e companheiro de quarto de Yusuf, desaba de tão enfermiço, o garoto busca por socorro, mas o misto de incredulidade e má vontade por parte dos adultos locais é tremenda.

Dirigido e co-escrito por Ferit Karahan, além de reunir atores conhecidos para a audiência turca como Ekin Koç e Melih Selçuk, o longa é sobre um sentimento de culpa e de resiliência. Enquanto falar sobre o primeiro pode entregar detalhes da trama, o fato de o protagonista (bem como outros ali) ser do Curdistão demonstra uma política obscura do país em apagar a região por seu nome (vide a aula de Geografia) e costumes (os professores não sabem falar curdo). Mas e quando até mesmo uma ligação escondida desampara Yusuf?

Apesar das derrapadas em repetir falas (passa de uma mão as vezes em que os adultos falam que Memo não está com febre), O Protetor do Irmão cativa no desenvolvimento de seu conflito e, principalmente, por nos deixar o tempo todo ao lado do Yusuf justamente por ele não ter ninguém.


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