sábado, 26 de maio de 2018

Han Solo: Uma História Star Wars | CRÍTICA


Se os longas-metragens de Star Wars podem ser classificados como fantásticas aventuras espaciais com uma propensão bastante operística que não se associa apenas às inesquecíveis composições de John Williams, pode-se dizer que o segundo derivado da saga, Han Solo: Uma História Star Wars, incube-se da missão de resgatar aquela sensação mista de inocência e anarquia que o seu original lançado em 1977 tem como charme e marca de sucesso. Assim, mesmo com os tão repercutidos problemas de produção que culminaram na demissão dos diretores Phil Lord e Chris Miller (Uma Aventura LEGO) quase no fim da fotografia principal, o filme cuja direção agora leva a assinatura de Ron Howard (No Coração do Mar) claramente se esquiva do teor épico superlativo dos Episódios VII e VIII para contar uma aventura que, ressalvas a parte, ainda se faz inédita e empolgante ao seu modo.

Roteirizado por Lawrence Kasdan (responsável pelos episódios O Despertar da ForçaO Retorno de Jedi e O Império Contra-Ataca) junto com seu filho Jonathan (A Primeira Vez), Solo chama a atenção não só por quebrar o padrão da franquia ao não iniciar com um plano no espaço e, daí, se empreender em apenas narrar a juventude do lendário contrabandista que, até então, tinha em Harrison Ford seu único intérprete; aqui, Star Wars deixa de ser uma história essencialmente sobre o aprendizado e o controle da Força para nos guiar por um retrato de uma galáxia cuja esperança há tempo foi derrotada pela ganância de gangsters locais e do Império, acossando planetas na marginalidade por meio da opressão e da extração de quantidades exorbitantes de recursos (como o valioso coaxium) enquanto povos são escravizados e aprisionados abaixo de um clima não menos que deprimente.

Um bom pressentimento


Lucasfilm/Divulgação)

Todavia se faça uma história que busque primordialmente o divertimento do público, é interessante notar como o roteiro dos Kasdan procura explorar em suas entrelinhas a velha e típica questão narrativa se, afinal de contas, o crime compensa ou não. Abandonando o industrial e decadente planeta Corellia – o qual os fãs passaram anos ouvindo falar e só agora são apresentados ao mundo que melhor produz naves na galáxia –, o jovem Han (Alden Ehrenreich) há tempos tem se virado como pode e por vias claramente incoerentes para a postura de ordem do Império, o que não quer dizer que o contrabandista em ascensão passou a desconhecer as diferenças entre o certo e o errado. Pouco a pouco, Han vai acumulando um histórico de opressões que vê ou sente na própria pele, o que o faz conhecer o wookie Chewbacca, o mercenário Thobias Beckett (Woody Harrelson) e, posteriormente, aquele com quem disputaria a posse da Millennium Falcon, um jovem e vaidoso Lando Calrissian (Donald Glover) que tem um excesso de confiança nas mangas. Por onde quer que passe, Solo não se esquece de sua nobre missão de retornar ao seu planeta-natal e resgatar Qi'ra (Emilia Clarke), a namorada que deixou pra trás sem saber que ela sempre foi capaz de estar a frente de todos os demais.

Na concepção dessa galáxia tão abandonada, é válido apontar como o filme reflete a marginalidade ao optar por uma paleta de cores predominantemente frias como o cinza e o azul que também tomam interiores, entre outros cenários esfumaçados e mergulhados na penumbra e sob luzes amarelas que reforçam a carência de auspiciosidade.






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