terça-feira, 1 de maio de 2018

Verdade ou Desafio | CRÍTICA


Uma das principais produtoras de terror no cinema contemporâneo, é inegável que a Blumhouse Productions leva jeito para contar histórias que ainda deixa arrepiado o público predisposto a levar sustos ou matar a curiosidade de testemunhar uma situação de morte. Ocasionalmente reciclando superstições populares ou temas bastante utilizados no cinema, era apenas uma questão de tempo para que a produtora se apossasse de uma infame brincadeira popular entre adolescentes (ou que costumava ser…) e, com isso, projetar mais uma narrativa repleta de tensão ao gosto dos jovens que não negam ver uma terrível consequência em cena.

Dirigido e co-escrito por Jeff Wadlow (além de três outros roteiristas), a trama de Verdade ou Desafio segue no encalço de um grupo de amigos e jovens universitários que decidem curtir umas férias no México antes do ano letivo, embora Olivia (Lucy Hale) prefira a comodidade do lar. Convencida pela melhor amiga, Markie (Violett Beane), e apoiada pelo namorado desta, Lucas (Tyler Posey), a jovem solteira parte em viagem com os demais amigos, até cair no papo de um rapaz que leva o grupo para uma igreja decrépita e, assim, jogar "Verdade ou Desafio" com direito a confissões inesperadas e outros divertimentos. O que os jovens não sabiam é que, muito em breve, eles seriam maliciosamente perseguidos pelo jogo, fazendo-os descobrir que infringir as regras acabam rendendo as mais variadas consequências mortais.



Uma vez que a narrativa não tem vergonha de ser previsível, onde babacas são as primeiras vítimas e qualquer prática "pecaminosa" também se incline a punições, é admirável como os cineastas cumprem o básico ao potencializar a funcionalidade de uma caneta dedicando um close ao objeto, pontuando pistas em cenas iniciais ou ainda reforçando as características de cada personagem a fim de lhes conferir empatia, todavia algumas subtramas melodramáticas soem como um adendo cansativo. Dessa forma, os roteiristas parecem acreditar que o público pode se identificar e sentir as respectivas consequências para as personagens, mas é nesse exato ponto onde os clichês poderiam ser revertidos que a trama se deixa levar pelo senso comum.

Tudo porque, obviamente, é preciso que os integrantes mais conhecidos de seu elenco (Tyler Posey e Lucy Hale) estejam presentes até o clímax para garantir o apoio do público, mas a súbita parcela de road movie no terceiro ato parece romper com a periodicidade cíclica das punições enquanto a dupla procura desvendar o mistério sobrenatural, trazendo um clímax igualmente repetitivo e presumível a julgar pela crendice roteirística de aplicar sacrifícios neste exato momento.

Ilustre apenas por utilizar a linguagem dos vídeos de Snapchat em uma determinada sequência, Verdade ou Desafio (Truth or Dare) é entretível para quem já se aficionou a esse tipo de filme, mas a real é que o filme carece do impacto que teria caso fosse lançado há pouco mais de dez anos.



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