terça-feira, 14 de maio de 2019

John Wick 3: Parabellum | CRÍTICA


Terceiro capítulo de uma franquia que não só repaginou a carreira de Keanu Reeves no cinema como vem redefinindo o conceito de filme de ação desta década, John Wick 3: Parabellum não poderia ser uma obra aquém do que foi visto nos longas anteriores. Ao dar sua frenética partida na cola do desfecho do longa lançado em 2017, o filme novamente dirigido por Chad Stahelski mantém sua essência narrativa enquanto busca e consegue superar seus desafios de produção e entrega outro arrebatador espetáculo visual.

O roteiro escrito à oito mãos passa longe de ter diálogos rebuscados e existencialistas, a trilha sonora de Tyler Bates (Guardiões da Galáxia Vol. 2) com Joel J. Richard é incessante com sua cadência sempre prestes a explodir entre tiros e golpes de várias naturezas, mas quem disse que isso é realmente um problema aqui? Com uma trama ágil que coloca a cabeça do protagonista a um exorbitante preço de 14 milhões de dólares, Wick se torna caça nas ruas de uma Nova York chuvosa sem poder recorrer ao apoio de Winston (Ian McShane, carismático como de costume) no Hotel Continental, passando a uma fuga incessante e derrubando seus caçadores à espreita sem nenhum pingo de piedade. Limado de proteção, Wick parte em uma intriga internacional que o fará descobrir que sacrifícios continuarão sendo parte de sua exaustiva rotina – exceto para o público, que dificilmente se cansará deste pacote de ação.

(© Lionsgate/Divulgação)

De fato, John Wick 3 passa boa parte de sua narrativa completamente focado em superar tudo o que foi visto na série sempre tomando o cuidado de fazer cada momento emblemático o suficiente e é visível todo o esforço que Reeves aplica em seus stunts. Magistral e inventivamente coreografado, as câmeras de Stahelski detêm ângulos apurados para registrar cada ação que dá novos traços ao conceito de violência gráfica, fazendo desde uma briga de facas a uma fuga a cavalo em um épico urbano que fica tudo mais bonito de se ver com as lentes e o tratamento de cor que Dan Laustsen (oscarizado por A Forma da Água) aplica à fotografia ainda predominantemente noturna.

(© Lionsgate/Divulgação)

Se outro aspecto divertido da produção é ver o seu resgate de um bom elenco veterano, somando aí o retorno de Laurence Fishburne, Jerome Flynn (o Bronn de Game Of Thrones) e uma ilustre participação de Anjelica Houston, quem se destaca mesmo é Halle Berry com uma personagem cujo pano de fundo há de agregar muito para o futuro da franquia a julgar por sua desenvoltura que não a torna apenas uma mulher misteriosa. Formando uma admirável dupla com Keanu Reeves, é dela as passagens mais empolgantes (e com uma gag hilária, diga-se de passagem) principalmente pelo fator inesperado de vermos a atriz tão habilidosa logo quando seu maior exemplo no passado era uma super-heroína de trovões e tornados adicionados digitalmente.

(© Lionsgate/Divulgação)

Todavia tamanho regozijo por um roteiro simples centrado em seu ardil cinético que passa a se tornar mais firulento do que prático ao se delongar na projeção de tantas artes marciais e tantos tiros desferidos (o que por si só nos leva a refletir sobre apologia às armas em um particular cenário político conturbado), John Wick 3: Parabellum honra a tradição do cinema e seu idioma universal das imagens de movimento tornando aquela homenagem à Buster Keaton na Times Square longe de ser gratuita. Astro da comédia física isento de um sorriso, tal como Reeves é visto por aí, trata-se aqui de uma produção que nos entrega o absurdo e que justamente nos diverte sem precisar se remoer em explicações banais.



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