quinta-feira, 9 de maio de 2019

Pokémon: Detetive Pikachu | CRÍTICA


É como um sonho que se torna realidade. Ao longo destes mais de vinte anos que Pokémon se tornou um fenômeno mundial nos games, na televisão e nos smartphones, sempre houve uma certa curiosidade dos fãs em, um dia, ver como seriam os seus "monstrinhos de bolso" favoritos em versões mais realistas além do gráfico tridimensionalizado (compensadas por montagens não oficiais até que convincentes) e, quem sabe, algum filme encenado com atores reais, por mais que a má fama dos filmes inspirados em games não inspiravam muita confiança para que isso acontecesse.

Por fim, a recente evolução dos efeitos visuais na composição fotorrealista de animais e demais criaturas imaginárias no cinema conferiam uma rota favorável de como Pokémon poderia funcionar nas telonas, especificamente quando Animais Fantásticos e Onde Habitam trazia uma fascinante dinâmica de criaturas utilizando suas habilidades peculiares e que, sabe-se lá quem se inspirou em quem, poderia dar certo na franquia idealizada na terra do sol nascente. Assim, se Pokémon: Detetive Pikachu era tido com tantos receios ao anúncio de sua produção – principalmente por conta de seu aspecto visual –, acaba que o filme é uma aventura despretensiosa e divertida de se acompanhar contando com o ótimo trabalho dedicado às criaturas e à constituição de seu universo.

(© Warner Bros. Pictures/Legendary/Divulgação)

Adaptando a história a partir do game homônimo e integrando ao cânone das histórias já conhecidas, o roteiro escrito pelo diretor Rob Letterman e mais outras seis mãos a partir do argumento de Nicole Perlman (experiente em franquias, vide Capitã Marvel e Guardiões da Galáxia) acerta em apresentar Ryme City como uma cidade onde humanos e Pokémon convivem harmoniosamente, o que dispensa conceitos de captura e demais elementos que requeriam explicações a mais para o público leigo. Na exibição plano a plano das habilidades diversas da criaturas e seus tipos variados, a trama confere um grande mistério envolvendo o lendário Mewtwo, uma investigação de reviravoltas, piadas que surtem efeito além dos fãs (apesar de a cópia dublada não ser muito eficiente nisso) e um excesso de melodrama típico de uma Hollywood no modo automático – mas, convenhamos, as séries e filmes animados de Pokémon nunca foram lendários no quesito roteirização primorosa…

(© Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Afora, então, alguns vacilos roteirísticos que deixam passar furos e incidentes não muito convincentes, e que o humor meio depressivo do protagonista Tim Goodman (Justice Smith, bastante dedicado) seja tanto novidade quanto algo dispensável para uma franquia que sempre prezou no otimismo pueril, a verdade é que Detetive Pikachu faz nossos olhos brilharem a cada Pokémon que aparece com suas aparências realmente convincentes e de texturas tão precisas, desde a pelagem arrepiadinha do Pikachu, o topete pomposo de um Jigglypuff ou até mesmo as escamas de um Charizard. Até mesmo as sequências de ação (que poderiam se delongar muito mais), empolgam e divertem em escala crescente, vide a luta clandestina e seu desfecho hilário ou o arrepiante ataque de Greninjas.

(© Warner Bros. Pictures/Legendary/Divulgação)

Vale destacar também o belo trabalho do diretor de fotografia John Mathieson (Logan) na sua composição vistosa das cenas noturnas brincando com as características do film noir com sombras projetadas em escritórios e planos de personagens espionando, mas aqui de uma forma muito mais colorida ao bem utilizar as luzes neon. Na cola desses aspectos criativos, o compositor Henry Jackman não se apoia necessariamente nos temas clássicos da franquia e faz uma trilha de musicalidade mista que compreende as várias tonalidades pelo qual o longa passa.

(© Warner Bros. Pictures/Legendary/Divulgação)

Se Ryan Reynolds dá sua alma e faz do Detetive Pikachu mais um personagem cômico pra chamar de seu com muita propriedade, e que seja sempre bom ver Bill Nighy (o Davy Jones de Piratas do Caribe 2 e 3) mesmo que não fazendo um papel diferente do que lhe é esperado, é uma pena que a personagem de Kathryn Newton tenha por vezes uma direção tão confusa quanto o Psyduck que carrega, mas, para início de jornada (e espero muito que venham mais filmes por aí), Pokémon: Detetive Pikachu surge não só para reforçar o quanto o personagem se mantém eletricamente adorável, mas como um fôlego entre franquias super-heróicas e demais remakes ao representar, agora de uma forma distinta daquela toda ingênua e otimista de Ash Ketchum (que tarda em ser Mestre Pokémon…), o indelével valor do companheirismo.



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