quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

MARTY SUPREME – juventude endividada | CRÍTICA

 
Timothée Chalamet em MARTY SUPREME


Pela fama, pela glória ou pela grana, tem louco pra tudo, mas até onde vão seus limites? Faz uns bons anos que Timothée Chalamet empreende-se em papéis que demandam alta performance psico-física em troca de indicações na temporada de ouro e, se até parecia que Um Completo Desconhecido era sua chance de Oscar, todavia sem êxito, o jovem astro já tinha em Marty Supreme uma tremenda carta na manga pra provar o seu melhor ao custo de um descabido exagero.


Aos cuidados do diretor Josh Safdie, que já arrancou performances diferentonas de Robert Pattinson e Adam Sandler, pode-se dizer que Marty Supreme é de uma imersão intensa no submundo de Nova York da década de 1950 em que a malandragem está por tudo e não poderia ser menos diferente com Marty Mauser (Chalamet), talento do tênis de mesa, porém aturdido quando perde um importante campeonato mundial, entre tantas coisas ao redor. Ímã para coisas erradas, o que vemos aqui é uma desventura, uma tragicomédia de erros que se sustenta com interesse e bom pique iniciais que, a um certo ponto, vai demonstrando sua fadiga enquanto desmascara suas intenções.


Gwyneth Paltrow em MARTY SUPREME
(© Diamond Films/A24/Divulgação)


Mais do que uma biopic de tratamento admirável (a fotografia de Darius Khondji intensifica a atmosfera quase sempre lúgubre sem deixar de ser informativa) e ritmo a la Scorsese, a real é que o filme vai tornando-se menos uma narrativa com algum sinal de moral (até que tem, mas...) e mais material de campanha eleitoral para Chalamet buscar sua estimada estatueta do Oscar. Por mais que não passe vexame no quesito atuação, o negócio torna-se fisicamente gritante, a ponto de até levar raquetada na bunda em cena (é um close up) entre outros pares de humilhações e desastres. De qualquer forma, o ator tem uma química constante com todos com quem contracena, desde Tyler The CreatorGwyneth Paltrow e Géza Röhrig (Filho de Saul) a sua cúmplice Odessa A'zion.


Odessa A'zion em MARTY SUPREME
(© Diamond Films/A24/Divulgação)


Retrato contemporâneo e sintomático de jovens adultos falidos que buscam meios esquivos de quitar dívidas, Marty Supreme acaba soando como uma versão A24 de Juventude Transviada em querer exalar rebeldia, mas me pareceu apenas instigar lucro momentâneo.




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