quarta-feira, 1 de maio de 2019

A Menina e o Leão | CRÍTICA


Que a relação do Cinema com leões não se resumem ao mascote da MGM, ao Simba de O Rei Leão, ao Alex de Madagascar e até mesmo ao Aslam de As Crônicas de Nárnia, não seria surpresa que tamanha veneração ao considerado "rei da selva" tornasse o animal em um item de desejo distante para muitas pessoas que, diante da ferocidade do bicho, deve se contentar com pelúcias que ressaltam seu aspecto mais "fofo". No caso de A Menina e o Leão, produção da europeia Studiocanal distribuída por aqui pela Paris Filmes, todo esse aspecto é ressaltado em uma narrativa que se faz experimental enquanto acompanha o crescimento de um raro leão branco e aponta para um problema ocasionalmente omitido pelas vias do entretenimento.

Dirigido pelo então documentarista Gilles de Maistre, que busca em Mia And The White Lion uma transição criativa tal como Werner Herzog e Wim Wenders fizeram ao longo de suas auspiciosas carreiras, o roteiro escrito por Prune de Maistre e William Davies (do primeiro Como Treinar o Seu Dragão) não é lá muito inédito em sua construção narrativa, ainda mais quando não faltam exemplares prévios de relações de crianças/adolescentes e animais com direito a vários momentos de ternura e sofrimento pelo caminho. As várias tomadas ágeis realizadas nas savanas da África do Sul comumente também reforçam a experiência emocionante do filme, que conta com uma seleção de músicas que empolgam pelo seu aspecto aventureiro.

(IMDb/Reprodução)

Curioso, então, pela sua forma de produção, é interessante notar que o filme dispensa dublês e trata de acompanhar o crescimento não só do leão protagonista, como das crianças Mia (Daniah De Villiers) e Mick (Ryan Mac Lennan) que acompanham o animal e crescem também no quesito atuação. Langley KirkwoodMélanie Laurent interpretam os pais das crianças, embora seja o primeiro que se configure como um antagonista da história enquanto a carismática Laurent, um rosto mais conhecido para os públicos americanos vide suas performances em Truque de Mestre e (sobretudo) em Bastardos Inglórios, fica a cargo de uma subtrama psicológica que se torna um adicional meio esquecível.

(IMDb/Reprodução)

Condenando a criação de leões para sua caça subsequente (muito embora isso era um costume de tribos – porém, sem intenções consumistas – tal como visto no documentário A Caça ao Leão Com Arco de Jean Rouch) sem deixar de projetar passagens divertidas ao longo da trama, é bastante válida a mensagem que A Menina e o Leão dispõe para suas audiências, reforçando que o carinho por tais animais selvagens também se faz incentivando a guarda ambiental dos mesmos.



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