sábado, 23 de fevereiro de 2019

Green Book - O Guia | CRÍTICA


Baseado em uma história real, Green Book faz em seu título referência a um livro que apontava os hotéis no sul dos Estados Unidos que aceitavam afrodescendentes em uma época controversa, repleta de racismo. Com muito charme e humor, o longa obteve várias indicações a prêmios e foi o maior vencedor do Globo de Ouro – incluindo Melhor Filme – mas, ainda assim, está encoberto por uma atmosfera duvidosa, cheia de escândalos e momentos constrangedores.

Ambientado nos Estados Unidos dos anos 60, o filme conta a história de Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), um motorista ítalo-americano durão que acaba responsável por levar o aclamado pianista negro Don Shirley (Mahershala Ali) em uma turnê no turbulento território sulista do país. Em uma excelente obra de época, ambos os atores entregam um excelente trabalho, envolvendo a audiência na trama e trazendo à tona todo o contexto da época.


O roteiro foi co-escrito por Nick Vallelonga, filho de Tony na vida real, e utiliza-se várias vezes do famoso "salvador caucasiano". Ao passo que Nick parece extrair com eficiência as vívidas memórias de seu pai com relação à experiência compartilhada pela dupla protagonista, a família de Shirley parece discordar dos relatos do filme, e rebate que Vallelonga não teria apresentado a Dr. Don itens como músicos da cultura negra ou mesmo da culinária mais simples do país. Esse fato fez até com que Mahershala Ali se desculpasse com a família por meio de uma ligação telefônica, declarando que não fazia ideia de que estava representando fatos não verídicos em sua atuação.


Apesar do desconforto ao perceber que a grande polêmica racial do Oscar 2017 ainda persiste, Green Book ainda encanta com sua elegância clássica, no estilo dos grandes estúdios, fluindo de maneira suave por meio da brilhante fotografia de Sean Porter e embalado por uma boa trilha sonora repleta de muito jazz e muitos detalhes da época na qual é ambientado. A trilha sonora, aliás, também acabou por ser ainda mais polêmica: por conter menos de 19min de música original, o filme não pôde concorrer à categoria de melhor trilha sonora do Oscar.

Mesmo com tantos pontos ruins envolvendo seu nome, que envolvem ainda declarações racistas do ator Viggo Mortensen e ações polêmicas do passado do diretor Peter Farrelly, o longa continua sendo uma obra envolvente, que peca por não focar ainda mais na vida de Sherley, mas ressalta os valores da amizade e da família e deixa o espectador com o coração aquecido com seu terno ponto de vista de uma história real e cheia de lições de vida.



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