domingo, 6 de janeiro de 2019

O Retorno de Mary Poppins | CRÍTICA


O relançamento de grandes clássicos Disney nas telonas tem se tornado algo cada vez mais comum não só para conquistar novos fãs, mas principalmente para utilizar a nostalgia e trazer o público mais antigo para as salas de cinema. O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns) utiliza essa estratégia para reviver o grande clássico da década de 60, mesmo sem nada efetivamente diferente em sua fórmula.

Dirigido por Rob Marshall (Caminhos da Floresta, Piratas do Caribe 4 e Chicago), o longa traz de volta a família Banks em sua já conhecida residência na Rua das Cerejeiras, anos após os acontecimentos do primeiro filme, no período da Grande Depressão londrina. Apesar de tudo parecer se manter o mesmo, fica nítido que o retorno da antiga babá ao número 17 se dá não pelas crianças, mas por seus antigos pupilos, que precisam resgatar alguns valores de que não mais se lembram.


Na nova trama, os três filhos de Michael (Ben Whishaw), recentemente tornado viúvo, tentam ajudar o pai a procurar um meio de salvar sua casa. Em sua aventura, acabam encontrando a antiga pipa de Michael, que a empinou com seu pai no intuito de resgatar a infância dentro dele. As crianças também trazem de volta a aventura pelo banco e a caminhada pelas ruas de Londres, nas quais encontram o aprendiz de Bert, Jack, e seus companheiros lumes, que se revelam tão bons dançarinos quanto os antigos amigos limpadores de chaminé. Em sua jornada, encontram também Tipsy, prima de Poppins vivida por Meryl Streep, que resgata a cena “de ponta cabeça” do longa original. A estrutura do roteiro, portanto, se mostra muito familiar, sendo praticamente igual à do primeiro filme.


Um dos grandes destaques do filme é, indubitavelmente, a atuação de Emily Blunt, que revive com destreza a rigidez simpática do antigo papel de Andrews. Sua presença cativa todas as idades, por meio de uma voz e um olhar tanto austeros quanto carinhosos. A parceria com Lin-Manuel Miranda, que interpreta o aprendiz do saudoso colega de Mary no clássico, Bert (Dick Van Dyke), abrilhanta ainda mais as telas, originando maravilhosos duetos, como no primeiro filme.

Outro ponto alto é a riqueza de detalhes na sequência animada da nova versão. Para ela, foram contratados animadores já aposentados, que desenharam à mão quadro por quadro dos quinze minutos em que a animação toma conta da tela. A riqueza dos detalhes e o cuidado com os figurinos, que também se caracterizavam como desenhos manuais, revela uma belíssima composição digna de indicações a premiações.


A trilha sonora, composta por Marc Shaiman e Scott Wittman, se aproveita das melodias já apresentadas no clássico de Julie Andrews para construir uma nova narrativa, apresentando músicas completamente inéditas para o público. A ausência das canções originais, no entanto, acaba se tornando um pouco decepcionante, já que as canções antigas são muito queridas pelos fãs mais dedicados da babá inglesa. A falta da presença de atores da primeira trama também é sentida, sendo aliviada apenas pela pequena participação de Dick Van Dyke em seu antigo papel de Mr. Dawes, com uma caracterização idêntica à original.

O Retorno de Mary Poppins se caracteriza como uma homenagem ao universo criado por Pamela Lyndon Travers e por seu predecessor, não trazendo nada realmente atrativo para novos públicos. Ainda assim, seu enredo e sua belíssima direção de arte o tornam, sem dúvida, um ótimo filme para se assistir em família, com uma mensagem de valorização do passado, dos alicerces aprendidos e de uma visão menos rigorosa dos problemas enfrentados no cotidiano.



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