quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Rainhas do Crime | CRÍTICA


Se depender dos filmes de gangsters, é bem provável que Nova York seja uma das cidades mais violentas principalmente com seu histórico de sanguinolência e orquestrados por notórios chefões do crime organizado que desafiaram a lei em histórias verídicas ou fictícias vistos em clássicos e fiascos. Se, então, só de falar neste retrospecto os ânimos já se dividem com a notícia de que O Irlandês chegará ao catálogo da Netflix com Martin Scorsese se repetindo no conto sobre mafiosos, há quem encontre em Rainhas do Crime um respiro criativo a considerar seu protagonismo feminino, embora o filme sofra com as estafas que há tempos prejudicam o gênero.


Lançado oito meses após o ótimo As Viúvas, The Kitchen (título original) busca a criminalizada Nova York do final dos anos 1970 para narrar uma história até que semelhante ao filme assinado por Steve McQueen, todavia com bem menos requinte e destreza cinematográfica. Roteirista experiente em histórias sobre marginalidade (vide Herança de Sangue Straight Outta Compton), Andrea Berloff adapta a graphic novel homônima da DC/Vertigo frisando a evolução do trio de mulheres que apenas tentavam uma forma de sobreviver no violento bairro Hell's Kitchen.

(© Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Kathy (Melissa McCarthy), Claire (Elisabeth Moss) e Ruby (Tiffany Haddish) poderiam se conhecer de qualquer circunstância cotidiana, mas eis que são casadas com três bandidos da gangue irlandesa recém-capturados pelo FBI. Sem nutrir muito amor por seus maridos por razões específicas e agora com pouquíssima grana para se virar e sustentar suas famílias, elas hesitam, mas logo não veem outra alternativa: ingressar no mundo do crime a partir das brechas que a gangue local vem deixando. Dos comerciantes que se sentem inseguros, ao suborno dos joalheiros judeus, logo, grana é o que menos lhes faltam (sem se esquecer das roupas luxuosas arranjadas pela figurinista Sarah Edwards), mas será que a integridade se mantém intacta ou fazem parte de um esquema ainda maior?

Revelando grandes atuações por parte de McCarthy e Moss (de praxe), sem contar num insensível Domhnall Gleeson, a trama que começa com uma montagem paralela bem ritmada parece não ter mais fôlego antes da metade de sua projeção – algo grave se formos considerar os breves 102 minutos de filme. Guiados por uma boa trilha de músicas da década (prepare-se para ouvir Fleetwood Mac e 'The Chain' mais outra vez…), os incidentes acabam se tornando ora cansativos ora inflando-se de subtramas que não ganham seu devido desenvolvimento, vide o personagem de Common. A diretora de fotografia Maryse Alberti, habitualmente criativa, faz um trabalho sem lá muita expressividade talvez por conta de Berloff ser uma cineasta estreante num gênero que exibe cenas emblemáticas desde o Scarface de Howard Hawks.

(© Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Para os iniciantes neste tipo de temática e que não se importam com a violência em progressão na tela, penso que Rainhas do Crime está mais do que de bom tamanho para se enveredar numa narrativa que poupa suas tensões e surpresas até os minutos finais.




Nenhum comentário:

Postar um comentário