terça-feira, 17 de março de 2026

UMA SEGUNDA CHANCE – sequer merecia uma primeira | CRÍTICA

 
Maika Monroe e Tyriq Withers em UMA SEGUNDA CHANCE

Terrivelmente insatisfeito com o que presenciei ao longo da projeção de Uma Segunda Chance, filme que adapta o romance homônimo de Colleen Hoover, reli a minha crítica do conturbado É Assim Que Acaba e notei que muito do que havia escrito sobre o filme de 2024 se aplica aqui também. A profundidade insossa do tema, os diálogos e dinâmicas aborrecíveis de seu antecessor cinematográfico estão ainda piores nessa trama de resignação e recomeço.


Com roteiro assinado pela própria CoHo em conjunto com a produtora Lauren Levine e dirigida por Vanessa Caswill (Amor à Primeira Vista), a narrativa acompanha Kenna (Maika Monroe) em seu retorno a sua cidade natal, mas que também é onde seu amado Scotty Landry (Rudy Pankow) faleceu em um acidente de carro. O regresso de Kenna é complicado, é difícil conseguir um trabalho qualquer dado o seu antecedente criminal, o que faz com que sua tentativa de contato a filha que jamais viu se complique, ainda mais com todo o pavor causado por seus então sogros. Os percalços são vários: um quarto em pensão quase sem mobília, o conformismo em aceitar esta nova vida difícil, uma procuração com medida restritiva e Ledger (Tyriq Withers), o melhor amigo do falecido, que parece dividido entre dificultar a vida da moça ao mesmo tempo em que está perdidamente seduzido pela miserável.


Lauren Graham e Maika Monroe em UMA SEGUNDA CHANCE
(© Universal Studios/Divulgação)

Se a jornada parece comovente nesta leitura, a narrativa cinematográfica é atroz. Desde os minutos iniciais, há uma insistência em conduzir a trama com uma trilha sonora instrumental tão genérica que parece ter sido retirada da biblioteca de áudio do YouTube sugerindo uma leveza incongruente com o que acompanhamos na luta de Kenna. Laurie Graham (Gilmore Girls) poderia ser uma tremenda megera, mas só lhe resta fazer caras de espanto e fugir, isso quando as roteiristas não inventam de suceder cenas tristes seguidas de momentos sensuais ou botar mais uma jovem com síndrome de Down como um alívio cômico sucessivo.


Desprovida de uma mixtape pop das boas (tal como seu antecessor) a ponto de nos condenar a ouvir "Yellow" algumas vezes além do suficiente, praticamente tudo em Uma Segunda Chance (Reminders Of Him, no original) me pareceu cansativo e intragável tamanhas incoerências ou assuntos que nunca são levados adiante – há uma cena envolvendo uma festa para as mães do pensionato, mas não há reação alguma de Kenna sobre não estar com a filha ali, restando a Maika Monroe fazer sua poker face constante. Se há algo de comovente aqui, isso se faz muito passageiro e não vai ter outra chance pro filme que resolva. 


Assista ao trailer:



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