Terrivelmente insatisfeito com o que presenciei ao longo da projeção de Uma Segunda Chance, filme que adapta o romance homônimo de Colleen Hoover, reli a minha crítica do conturbado É Assim Que Acaba e notei que muito do que havia escrito sobre o filme de 2024 se aplica aqui também. A profundidade insossa do tema, os diálogos e dinâmicas aborrecíveis de seu antecessor cinematográfico estão ainda piores nessa trama de resignação e recomeço.
Se a jornada parece comovente nesta leitura, a narrativa cinematográfica é atroz. Desde os minutos iniciais, há uma insistência em conduzir a trama com uma trilha sonora instrumental tão genérica que parece ter sido retirada da biblioteca de áudio do YouTube sugerindo uma leveza incongruente com o que acompanhamos na luta de Kenna. Laurie Graham (Gilmore Girls) poderia ser uma tremenda megera, mas só lhe resta fazer caras de espanto e fugir, isso quando as roteiristas não inventam de suceder cenas tristes seguidas de momentos sensuais ou botar mais uma jovem com síndrome de Down como um alívio cômico sucessivo.
Desprovida de uma mixtape pop das boas (tal como seu antecessor) a ponto de nos condenar a ouvir "Yellow" algumas vezes além do suficiente, praticamente tudo em Uma Segunda Chance (Reminders Of Him, no original) me pareceu cansativo e intragável tamanhas incoerências ou assuntos que nunca são levados adiante – há uma cena envolvendo uma festa para as mães do pensionato, mas não há reação alguma de Kenna sobre não estar com a filha ali, restando a Maika Monroe fazer sua poker face constante. Se há algo de comovente aqui, isso se faz muito passageiro e não vai ter outra chance pro filme que resolva.

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