terça-feira, 31 de março de 2026

O DRAMA – as entrelinhas nupciais | CRÍTICA

Robert Pattinson e Zendaya em O DRAMA

 

O que antes era mais um acordo entre famílias (diz-se, todavia ainda seja para algumas culturas), o casamento foi virando uma celebração máxima de duas pessoas com pouca ou muita pompa, mas até onde onde os recém-casados se conhecem de verdade? Até onde vai a confiança a resiliência de cada cônjuge ao se abrir e processar os relatos mais profundos de sua contraparte? Longe de ser um programa romântico, O Drama testa o limite da cumplicidade das entrelinhas nupciais.


Às vezes, só é necessário um olhar diante de uma pessoa para se apaixonar, apesar de todo o restante de se construir uma relação de sentimentos recíprocos. De um encontro atrapalhado em uma cafeteria, Charlie (Robert Pattinson) e Emma (Zendaya) estão em seus preparativos derradeiros para seu casamento: o que falar nos discursos, que músicas vão dançar, qual será o cardápio, quem vai tocar no baile, entre outras minuciosidades típicas do casório. Porém, o que fazer quando o passado da noiva é perturbador o suficiente a ponto de estremecer a continuidade do relacionamento?


Verdade seja dita, temos em O Drama uma das melhores performances das carreiras de Robert Pattinson (certamente bem mais interessante do que em Morra, Amor) e de Zendaya, tão deliciosamente entrosados e de línguas afiadas que nossos sentimentos se afligem diante das situações, o mesmo podendo-se dizer de Alana Haim (Licorice Pizza) em um papel maduro. A montagem da narrativa dirigida e escrita por Kristoffer Borgli também é de uma inventividade sem tamanho, nos jogando entre inserts, flashbacks e efeitos sonoros que tornam a experiência positivamente desconcertante, afinal, o caso está em uma linha tênue entre o desastre completo e o cinismo de seguir adiante, mesmo se temendo pela própria vida.


Tornando-se um filme de conversação que alça em ser um Bergman, todavia atendendo a geração de fãs de A24, talvez O Drama (The Drama, no original) só peque por ter uma perspectiva ocasionalmente masculinizada, mas entre tetos de vidro, pesos e medidas, medos e delírios, temos aqui uma envolvente história sobre resignação.


Assista ao trailer:



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