Depois de tantos anos de violência explícita, é admirável que a sanguinolência nos filmes tenha se tornado uma questão criativa praticamente de suma importância, afinal, ver banhos de sangue, vísceras e decapitações não teria o mesmo impacto caso repetidos a exaustão como há uns cinquenta anos – isso sem entrar na discussão sobre a tal normalidade desse tipo de consumo. Apelando para uma montagem pop tendo inspiração como títulos emblemáticos do gênero, Eles Vão Te Matar consegue a façanha de gabaritar esses quesitos ciente de que está mais a fim de manter o pique do jogo.
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| (© Warner Bros. Pictures/Divulgação) |
Em suas reviravoltas bem arranjadas, o filme dirigido e roteirizado pelo Kirill Sokolov é mesmo um banho de sangue bem arranjado. A mise-en-scène das sequências de luta recebe uma coreografia de ponta, bem como a direção de arte que não peca em nada ao evocar cores quentes e sulfúricas, onde cada corpo partido ao meio, sem querer querendo, gera mais graça do que espanto. É um caminho normal dizer que há uma forte referência de Kill Bill aqui (os efeitos sonoros, a simplicidade dos personagens, as músicas), mas há quem diga que tem um pouco de Casamento Sangrento e Evil Dead também. Pra mim, na soma desses ingredientes, há um tanto dos combates estilosos que Oldboy esbanjou há mais de 20 anos.
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| (© Warner Bros. Pictures/Divulgação) |
Como se vê, o filme nos remete a títulos consagrados a todo o instante, mas faz o possível para se tornar igualmente emblemático ao seu modo …e não pela temática de ocultismo que, por sinal, se faz bem executada em seu terceiro ato. Talvez dispensado seu prólogo (que não surte lá tanto impacto, no fim das contas), é bem provável que tenhamos aqui um John Wick desta década e é bem capaz que os produtores Andy e Barbara Muschietti já tinham consciência disso sem precisar de pactos.
Assista ao trailer:



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