Há uma reivindicação de longa data do cinema queer por narrativas que retratem seus personagens e/ou suas jornadas com um mínimo de dignidade para compensar todo o preconceito sofrido no dia-a-dia, alçando um fio de esperança que a ficção tem o poder de prover ou mostrar que são pessoas iguais a quaisquer outras e merecedoras de finais felizes tanto quanto o típico herói branco. Logo, torna-se ultrajante que um filme como Ruas da Glória escolha as piores decisões para uma representação que há muito tempo deveria ser extinta.
Como muito apontado, dizem que o filme remete muito a Baby, mas a comparação chega a ser quase que um insulto para o longa paulistano que, apesar de também retratar a marginalidade central (neste caso, do bairro República), conferia mais empatia ao seu protagonista. Aqui, todo o retrato parece ser um desserviço a sua comunidade, não se cansando de exibir cenas de consumo de cocaína entre outras de atos sexuais que estão longe de serem atraentes mesmo com nudez aparente (ainda que sejam melhores do que aquelas vistas em Heated Rivalry...). Nunca sentimos o tal tesão dos personagens porque a narrativa sequer trabalha isso com afinco para, no mínimo, nos ser de recompensa.
Degradante pela abordagem e cringe por suas músicas estranhas, Ruas da Glória ainda se faz interessante pelo seu elenco de apoio (Diva Menner, Sandro Aliprandini e Daniel Rangel poderiam ter mais tempo de tela) e por uma ideia escondida de explorar aquele submundo noturno da Cinelândia tão tido como vil e perigoso, logo quando poderia mostrar que tem muita gente ali que busca um jeito, de alguma forma, para encontrar a felicidade. Em uma época em que aliados parecem se reduzir, seria muito mais auspicioso encontrarmos aqui uma jornada bem menos desmoralizante e batida.
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