sexta-feira, 17 de abril de 2026

PAPAGAIOS - Puro suco de Brasil | CRÍTICA

 

Filme vencedor do Júri Popular de Gramado traz discussões interessantes sobre mídia em um tempo de influencers e redes sociais.


O filme acompanha a vida de Tonico (Gero Camilo), um cidadão carioca que tem como missão de vida aparecer no fundo das reportagens televisivas. Ao ser entrevistado em um programa da tarde, ele desperta o fascínio de Beto (Ruan Aguiar), que usa da sua beleza para seduzir pessoas e abrir caminhos para seu mentor.

Papagaios foca suas câmeras em um lado do subúrbio carioca ao qual dificilmente somos expostos. Fugindo da violência dos conflitos entre polícia e traficantes, o filme aposta naquilo que é o puro suco do Rio de Janeiro: suas subcelebridades e figuras que fogem ao racional. Todas as cidades têm seu “doidinho da praça”, mas, em um local tão midiático como o Rio, é claro que o foco deles seria aparecer, dos mais diversos jeitos.

Quem não conhece a dinâmica da mídia, com o poder de catapultar personalidades e enterrá-las com a mesma velocidade? Quem se lembra do nome da moça que não cedeu sua poltrona no avião? Ou mesmo de Geisy Arruda, que foi expulsa da sala de aula por usar um vestido rosa e surfa até hoje com o episódio?


Tunico é um personagem muito interessante e rouba a cena a todo momento. Ele constrói uma persona simpática aos famosos e sempre busca se aproximar deles, mas nunca fica muito claro se isso se dá por uma busca de ascensão social ou para aplicar golpes. O que importa é aparecer, ser parte e, em sua própria cabeça, pertencer ao universo dos famosos.

É nessa luta por pertencimento que Beto entra em cena. Ele é um rapaz jovem, bonito, carismático e com potencial para aprender como se infiltrar na elite da cidade. Sua lábia encanta desde motoristas de celebridades até clientes de imóveis, mas a relação com Tunico é sempre muito dúbia. Não há nada sexual ali, apenas uma grande obsessão por parte do jovem e um encantamento em ensinar alguém que Tunico chama de filho.


A retratação de um universo periférico é bastante eficaz, com um design de produção que nos insere em cada ambiente de maneira convincente, como bares, escolas de samba, pontes, churrascos e velórios.

Entre a busca por aprovação, os dois passam a avançar limites que nos fazem questionar até onde irão para alcançar esse objetivo. Com a tensão crescente ao longo do filme, os personagens se desenvolvem e revelam novas camadas que tensionam seus próprios métodos. Um retrato, no fim das contas, de como funciona boa parte da sociedade.

Confira o trailer abaixo:



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