Toda comédia de erros tem seus acertos, mas quando a sua narrativa menos provoca riso e nos instiga a reparar nos seus furos, mais parece que entramos numa roubada nada engraçada. Sendo assim, Velhos Bandidos tinha todo um potencial cômico, mas se atrapalha em cumprir o seu propósito ainda que não lhe falte divertimento.
O elenco é realmente primoroso, ainda mais quando tem talentos adicionais como Reginaldo Faria, Vera Fischer, Tony Tornado e até uma ponta de Nathalia Timberg, que faz mais uma ponta supérflua, no fim das contas. Temos também Lázaro Ramos em sua contraparte da investigação desse roubo, embora chegue meio tarde entre as subtramas que se somam ao coro. O roubo como ato de justiça/vingança pessoal de Marta (Montenegro) e Rodolfo (Fontoura), de repente, tem uma motivação a mais, bem como toda a reviravolta que se sucede lá pelo terceiro ato, mas tudo parece tão fácil que não comove como parece ser o esperado.
Lógico que, em uma trama de vigaristas, não se pode confiar em ninguém, mas a farsa não se sustenta muito para quem, mesmo com uma trama que não se leva a sério até visualmente (o cofre que parece ser feito com IA generativa, a turma dando tchauzinho nas janelas do jatinho…), sinto que o espectador merecia fazer parte de um golpe um pouco mais inteligente para os padrões atuais, especialmente quando banqueiros cretinos seguem ilesos perante a justiça.
Por mais que não gostei de pontos na execução de Velhos Bandidos, no geral, o filme me prendeu ...por mais estranho que isso pareça. Talvez seja pelo magnetismo de seu elenco de primeira que, de tão entrosado, aumentou a cumplicidade mais por quem representa os personagens do que pela síntese dos próprios, ainda vale conferir toda essa presepada.

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