domingo, 31 de maio de 2026

STAR WARS: O MANDALORIANO E GROGU – aventura certa, reconhecimento tardio | CRÍTICA


Lembro que, toda a vez em que assistia a um novo capítulo das temporadas de The Mandalorian, eu sempre desejava uma transição imediata para o cinema tamanha encenação empolgante que não poderia caber apenas em telas digitais. Com um lançamento mais tardio do que esperado, todavia muito bem-vindo, Star Wars: O Mandaloriano e Grogu dispensa o lado mais operístico de sua franquia para comportar uma aventura bastante envolvente para se retornar ao seu habitat natural.


Dirigido por Jon Favreau (criador da série pregressa, bem como diretor de sucessos como Homem de Ferro) penso que é desnecessário ter acompanhado os 24 episódios anteriores das temporadas de The Mandalorian (bem como 3 ou 4 capítulos de O Livro de Boba Feto nesse meio) para se entender o que se passa, ainda mais que o letreiro inicial condensa o que se deve ter em mente para embarcar na jornada. Temos O Mandaloriano, Din Djarin (Pedro Pascal), e o pequeno Grogu em sua longa saga caçando recompensas e ajudando a derrubar de vez o Império Galáctico.


(© Lucasfilm/Reprodução)

Entre missões que variam de ecossistemas e criaturas que mais honram o legado da saga do que apresentar novidades, o chamado à aventura – e, sobretudo, à fofura – é imediato. As tantas gags fofinhas do Grogu se fazem sempre icônicas enquanto a narrativa trabalha uma maior autonomia do personagem que ainda não fala enquanto que o Mandaloriano tem cenas de ação potentes, todavia mais um trabalho dos dublês Brendan Wayne e Lateef Crowder do que um esforço psicofísico de Pedro Pascal. Torno a repensar diversas vezes se o tamanho desinteresse do grande público pelo filme se dá por ter um personagem de capacete praticamente em 90% da narrativa e sequer sentirmos suas emoções como bem acompanhamos nos filmes da saga em seus 50 anos...

Pedro Pascal em Star Wars: O Mandaloriano e Grogu
(© Lucasfilm/Reprodução)

Potencializada pela trilha perfeita de Ludwig Göransson e ocasionalmente prejudicada pela fotografia escurecida de David Klein, ainda assim, O Mandaloriano e Grogu tem um entendimento melhor do que Star Wars representa hoje que J.J. Abrams nunca conseguiu entender direito nos anos em que esteve envolvido. Jon Favreau sabe que a franquia não se trata apenas de uma tragédia (por vezes, rasa) de personagens em conflito, porém, tudo o que lhes circundam e o que torna tudo isso tão mágico de acompanhar. O personagem de Martin Scorsese, os pequenos mecânicos Anzellanos, as referências ao passado, tudo têm sua devida graça porque Star Wars é sobre pertencimento também. Em uma galáxia de vastidão e protagonistas solitários, a criação de vínculos sempre foi uma constante e, aqui, vemos que não há limitação de tamanho para se fazer grandes esforços.



Martin Scorsese em Star Wars: O Mandaloriano e Grogu
(© Lucasfilm/Reprodução)

Muito satisfeito e entretido com a aventura presenciada, todavia em consenso com a carência de um grande evento ou conflito como guia por mais jornadas ambiciosas, O Mandaloriano e Grogu tem todos os atributos de um clássico injustiçado (isso pra não mencionar a ideia mirabolante da Disney de chamar "Tia Milena" para promover o filme, os trailers bem de qualquer jeito...) logo quando tem tanto a oferecer agora.


Assista ao trailer:



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.