sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Bumblebee | CRÍTICA


No controle criativo da franquia Transformers ao longo de dez anos, Michael Bay e seus cinco filmes se tornaram referência do que há de pior no blockbuster hollywoodiano ao projetar histórias sempre escandalosas e sem qualquer mensagem construtiva, além de sua inflação em todos os seus aspectos cinematográficos praticamente supérfluos para o que era necessário à narrativa. Com a Hasbro e a Paramount investindo no esquema de spin-offs como bem tem funcionado em outras franquias populares, é um grande alívio atestar que Bumblebee se apropria de todos os elementos que fazem de seu conto algo bastante divertido – e nostálgico – de se acompanhar.

Com um roteiro coerente escrito por Christina Hodson (do vindouro Aves de Rapina e de Paixão Obsessiva, um dos piores filmes de 2017), Bumblebee coloca o Autobot amarelo (e inicialmente dublado por Dylan O'Brien, de Maze Runner) no ano de 1987 após um golpe dos Decepticons em seu planeta natal, Cybertron. Em fuga, o robô disfarçado de Fusca acaba conhecendo a deslocada garota Charlie (Hailee Steinfeld, indicada ao Oscar por Bravura Indômita), que também busca fugir da chatice dentro de casa e encontra em Bumblebee alguém para dividir seus gostos musicais e até mesmo algumas típicas confissões de adolescente. Um vínculo de amizade, porém, que pode ser comprometido quando uma dupla de vilões alienígenas aterrisa para buscar seu fugitivo.

(© Paramount Pictures/Divulgação)

Bastante lúdico, chega a ser inacreditável pensar que um filme da franquia Transformers possa ser capaz de nos comover com sua narrativa e com gags funcionais, muito porque se apoia nas referências oitentistas de músicas e principalmente os teen movies dirigidos por John Hughes. Até mesmo as partes dos Decepticons e dos militares chefiados por um John Cena (inspirado até demais nos modos de Schwarzenegger nos filmes daquela época), que tanto poderiam ser os pontos falhos da trama, acabam sendo divertidos de se acompanhar graças à direção sucinta de Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas) que, felizmente, não está nem um pouco interessado em replicar os movimentos insanos e curtíssimos que Michael Bay estigmatizou a série.

(© Paramount Pictures/Divulgação)

Bumblebee, ainda que trilhe muito por uma fórmula comum das fitas de aventura, entretanto, se faz um filme agradável e que revê os conceitos da própria franquia. Dos visuais dos Autobots e Decepticons que remetem aos primeiros modelos dos brinquedos com traços mais quadriláteros até o fato de dispensar uma garota sexy symbol como Michael Bay gostava de apelar com Megan Fox e outras similares, chama aqui a atenção de como a narrativa também descarta subtramas terciárias (diferente de certa prequência mágica…) e bem se conecta com os eventos do filme original de 2007, quando Transformers ainda tinha algo verdadeiramente jocoso – e como vem a possuir novamente aqui, o que pode ser um bom e novo ponto de partida para o suposto reinício da franquia. 



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