quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Maze Runner: A Cura Mortal | CRÍTICA


Do Labirinto da Clareira para um Deserto igualmente repleto de perigos, revelações e até mesmo traições, os dois filmes da série Maze Runner conseguiram promover um bom entretenimento a partir dos livros escritos por James Dashner que, embora envoltos de um universo muito do genérico, ao menos se atrelavam ao espírito de amizade em meio a atemporal e chamativa estética distópica do que no investimento de claudicantes triângulos amorosos, como fizeram Jogos Vorazes e Divergente dada a influência (in)direta da saga Crepúsculo e a tentativa de conquistar o lucrativo mercado do gênero infanto-juvenil após Harry Potter. Desfecho de uma série que esteve longe de ser um fenômeno literário tal como seus contemporâneos, Maze Runner: A Cura Mortal surge como um filme que mantém a qualidade plausível de seus antecessores com um pacote de sequências de ação empolgantes, da mesma forma que ainda repete suas ressalvas.

Na cola dos eventos finais de Prova de Fogo, Thomas (Dylan O'Brien) nunca levou tanto a amizade a sério, a ponto de não medir esforços para salvar seus amigos raptados pela CRUEL, ainda chefiada pelo frio Janson (Aidan Gillen) que, por sua vez, quer ver o garoto exterminado da face (do que restou) da Terra. Decidido a partir com seus colegas de Clareira, entre eles Newt (Thomas Brodie-Sangster), Brenda (Rosa Salazar) e Jorge (Giancarlo Esposito), Thomas parte para o último reduto civilizado restante também para encontrar uma possível cura para o Fulgor que, ironicamente, está em constantes testes nas mãos de Teresa (Kaya Scodelario) que, apesar de tudo, esconde uma chance de se redimir com os amigos que deixou para trás.


Novamente dirigido por Wes Ball, dizer que este Maze Runner faz de sua sequência inicial uma espécie de remake de O Grande Roubo do Trem tendo como maior influência o ritmo fulminante de Mad Max: Estrada da Fúria a julgar pelos carros reforçados e o ronco grave de seus motores e a ameaça bem estabelecida pode até soar um tamanho exagero, mas acaba que a decupagem e a dinâmica em cena bem estabelecidas, fora todo o tom de urgência da corriqueira trilha de John Paesano, tornam a abertura num dos melhores momentos do longa – reforçada com a projeção especial para as telas IMAX (embora o 3D seja irrelevante) – deixando a impressão de que o restante do filme será igualmente promissor. Sendo assim, bem mais empolgado na consecução das cenas de ação e compartilhando tal sentimento com o elenco entrosado (a impressão que fica é que Giancarlo Esposito nunca se divertiu tanto num filme, enquanto Dylan O'Brien acabou se acidentando…), o diretor provém outros momentos dignos do gênero pós-apocalíptico sempre levando em conta a diversão e até almeja fragmentos emblemáticos (Brenda e a fuga do ônibus); já em outros casos, como o túnel repleto de Cranks, peca por sua brevidade e repetição de clichês dos filmes de zumbis.


Logo quando o roteiro poderia se sair à frente da irregular escrita de Dashner e aí criar um contexto de peso com um mínimo de diálogo com a atualidade (e não faltam elementos em cena pra isso), o filme acarreta para minutos e minutos de conversas insossas sobre sobrevivência, sacrifícios e predestinações que já se saturaram no ramo de aventuras (pós-apocalípticas ou não) principalmente quando não há muito a falar ou a introduzir, deixando Janson e Ava (Patricia Clarkson) à beira da caricatura, da mesma forma que o drama de Newt parece entravar a progressão da narrativa de propósito. Por outro lado, fica o destaque também para as melhorias evidentes no design de produção (os prédios da cidade e os interiores da sede da CRUEL estão caprichados) e para o horripilante personagem de Walton Goggins (Tomb Raider: A Origem, Os Oito Odiados), que poderia ser melhor aproveitado além de sua incinerada retórica, mas, como conjunto da obra, Maze Runner termina longe do mesmo impacto obtido pelas consagradas ficções científicas que adoramos ver e, disso, nos preocuparmos com a hipótese de um futuro pessimista.





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