quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O Touro Ferdinando | CRÍTICA


Roteirizado a partir do livro "A História de Ferdinando" (o qual não li), de Munro Leaf, O Touro Ferdinando é a mais nova animação da Blue Sky Studios (da série A Era do Gelo) dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha novamente em busca de um conto divertido e disposto a agradar aqueles que buscam ver algo com uma temática menos americana. Cartunesco na dose certa como o estúdio já comprovou com seus longas de maior sucesso, o filme acerta também na abrangência de seu discurso logo num tempo quando a conscientização precisa falar mais alto.

Desde bezerro, Ferdinando era avesso às touradas e preferia regar as flores que encontrava no curral enquanto seus companheiros sempre estavam dispostos a praticar para seus grandes momentos na vida "adulta", apesar de estarem longe do perfil ideal como o convencido Valente. Posteriormente acolhido por uma menina e seu pai floricultores, além de um impaciente cão, Ferdinando cresceu e se tornou um touro sem nada a reclamar, embora a população espanhola esteja longe de ver um espécime como ele ser tratado como um bichinho de estimação – principalmente quando causa alguns grandes estragos. Retornando inesperadamente à fazenda onde passou seus primeiros anos, Ferdinando não só terá que lidar com as consequências herdadas do passado como enfrentar o medo de ir para a arena e ainda descobrir um jeito de retornar ao que sempre chamou de lar, sem deixar de lado seus novos e também velhos amigos.


Apresentando sequências engraçadinhas e bem boladas com um humor-família mais eficiente para crianças pequenas, O Touro Ferdinando não se aprofunda na cultura retratada tal como Vida - A Vida é Uma Festa surpreendentemente fez em todos os seus aspectos artísticos, mas aqui há uma homenagem ao hit "Macarena" e os pontos turísticos (por assim dizer) estão graficamente impecáveis cuja projeção 3D só tende a deixar a vista ainda mais bonita. Plausíveis são os personagens secundários e toda a sua comicidade própria (embora alguns se excedam, tal como os chatíssimos cavalos alemães), com destaque para a cabra Lupe e a ótima dublagem brasileira de Thalita Carauta, imbatível com personagens escrachadas.


Talvez mais extenso do que deveria por querer dialogar dramaticamente sobre sua pauta de conscientização até lembrar que, antes de tudo, precisa entreter seus espectadores de faixas etárias amplas, O Touro Ferdinando (Ferdinand, no original) se destaca quando acerta em suas gags físicas e quando ilustra seu discurso sem rodeios de forma bastante clara a todos – nisso, basta a porta de um caminhão se fechar seguido das reações dos touros (sem se esquecer da parede com a coleção de chifres num plano em contra-plongée) para lamentar o destino desses animais e questionar por que ainda não são dignos de um lar sem exploração e sem alimentar a fama dos ridiculamente vestidos matadores nas arenas. Mesmo com essa boa reflexão, parece que, no final das contas, faltou no filme algo digno de um "olé!" nos estúdios concorrentes.



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