quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sob O Mesmo Céu | CRÍTICA


Uma tempestade se aproxima no Havaí. Daquelas que fazem o povo local remexer as velhas lendas de suas divindades, tão ofuscadas hoje pela globalização trazida pelos branquelos americanos em sua ocupação militar. Tudo pode mudar ou não nessa arrastada volta de um veterano de guerra, confuso entre os interesses opressores de um bilionário ou o amor motivado pelo calor havaiano.

Diferente de seu Chris Kyle em Sniper Americano, o Brian Gilcrest de Bradley Cooper não é um autêntico e condecorado "herói americano". Seu histórico na guerra é confuso, e até foi dado como morto! Seu retorno ao Havaí também não poderia ser diferente. Mesmo que tenha em seu encalço a bela oficial Allison Ng (Emma Stone e uma "polêmica" escalação), Gilcrest só tem olhos na antiga namorada, Tracy (Rachel McAdams), casada e mãe de dois filhos. Na cola do veterano, militares trabalhando meio que na surdina com o magnata Carson Welch, que aumentou sua riqueza investindo em satélites e agora planeja lançar mais um. O problema desse plano amenamente maléfico de Welch é que ele bate de frente com as reivindicações dos havaianos nativos – e um desses pedidos não é bem algo comum: uma antena para melhorar o sinal de celular nas aldeias. Quem será o responsável para conciliar tudo isso? Brian Gilcrest, mas há quem diga que o misticismo que circunda seu retorno à ilha vai muito influenciá-lo em suas decisões.



Sob O Mesmo Céu (Aloha) parece uma comédia romântica, mas o diretor e roteirista Cameron Crowe não quer se apegar apenas a isso. Por mais que elabore todo um triângulo amoroso honesto, a ocupação da trama "imperialista", por assim dizer, se apresenta num redemoinho de informações cansativas, confusas e, mesmo quando aparecem figurões militares como o personagem de Alec Baldwin, pouco parecem acrescentar. Inclusive, a tensão que vem no seu clímax, que deveria ter mais seriedade vide a complexidade da operação em andamento, mal consegue se prevalecer, pois um alívio cômico vem a caminho. Se a intenção era ser sarcástico, pro espectador tudo isso pode parecer uma grande bobeira.

Falamos de uma história situada numa ilha repleta de encantos naturais, e se há alguma beleza no filme, eu diria que ela está nas linhas dos diálogos entre Ng e Gilcrest nas locações tropicais. Ou talvez na relação do protagonista com a ex-namorada, que embora comece como uma difícil chance de reatar o que nunca, de fato, terminou, acaba prevalecendo a honestidade em aceitar um amor que ficou apenas no passado, ficando com as pessoas que aprenderam a amar. Quem sabe o momento mais bonito seja quando Brian se depare com a filha de Tracy tendo aulas de hula, culminando em prantos e sorrisos, em tempos onde as práticas dos costumes sejam defasados pela globalização? Ironias a parte, chega a ser triste que um elenco e direção de renome se percam nessa nuvem tempestuosa de boas ideias, porém mal estabelecidas.



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