quarta-feira, 24 de junho de 2026

SUPERGIRL – heroísmo em tempos de retração | CRÍTICA

 Milly Alcock em SUPERGIRL


Para a nova era da DC Studios, James Gunn tem enfatizado que cada filme terá seu próprio estilo narrativo no intuito de se afastar de qualquer apontamento de mesmice, vide a investida no próximo Cara-de-Barro e seu flerte com os filmes de body horror em contraste com o todo-esperançoso Superman. Assistindo a Supergirl, percebe-se que a proposta de seu estúdio é seguida a risca ao nos lançar em uma aventura interestelar concentrada em abordar temas maduros mesmo atrelado ao entretenimento do gênero.


Dirigido por Craig Gillepsie (Cruella, Eu, Tonya) e roteirizado pela estreante Ana Nogueira, é notável como a narrativa se concentra em criar uma versão cinematográfica emblemática da personagem amada nos quadrinhos e até mesmo na duvidosa série de TV da década passada, ainda mais quando suas antecessoras em The Flash e no filme homônimo da década de 1980 receberam apreço mínimo. Sendo assim, se Milly Alcock (A Casa do Dragão) já despontava como a intérprete ideal para a personagem em sua breve passagem por Superman, isso fica mais do que certeiro em seu próprio filme. No entanto, Kara Zor-El é diferente do seu primo e, aqui, prefere encarar os estágios de um luto a ponto de negar até mesmo os próprios poderes conferidos pelo sol amarelo. 

É curioso como Alcock jamais retrata tal estado de espírito de sua personagem de forma pastelona ou vexaminosa, pelo contrário, torna esse ânimo de relutância em uma pessoa interessante de se acompanhar e, dessa forma, torcer por sua própria superação. Com ares meio de Bravura Indômita, meio Mad Max: Estrada Fúria, a super-heroína cresce em seu amparo a jovem órfã Ruthye (Eve Ridley) e ao confrontar os Bandoleiros chefiados por Krem (Matthias Schoenaerts), que não poderia ser mais desinteressante.


(Warner Bros. Pictures/DC Studios/Divulgação)


Mesmo com o investimento admirável no uso de locações naturais para criar planetas de sóis vermelhos e verdes, com a mescla de criaturas de efeitos práticos ou digitais e a seleção de músicas escolhidas para cativar qualquer espectador jovem, há um tanto de bagunça em Supergirl. Se os flashbacks nos conferem momentos lindos e comoventes, bem como todas as cenas com Clark/Superman (David Corenswet) reforçam toda a ternura do personagem com a prima, ao mesmo tempo, parece que há uma reclusa em aceitar de que se trata de um filme de super-herói, dispondo a protagonista com seu uniforme apenas no terço final do filme. 


Até mesmo o Lobo de Jason Momoa poderia ser um conflito muito mais plausível para Supergirl, porém, parece que houve um certo receio de seus realizadores em tornar o ator, de tamanho prestígio popular, a se tornar uma espécie de antagonista – no fim das contas, está servindo mais como um coadjuvante de luxo.

Jason Momoa como Lobo em SUPERGIRL
(Warner Bros. Pictures/DC Studios/Divulgação)

Órfão de cenas pós-créditos que poderiam antecipar qualquer pista para Man Of Tomorrow, além da sensação de que poderia haver um maior desenvolvimento de sua mitologia (e de mais cenas com o Krypto), ainda assim, Supergirl é um bom filme, porém retraído em assumir sua estética (tal como as séries Spider Noir e Demolidor: Renascido) ao esquecer de dar ao seu público justamente o melhor de si.


Assista ao trailer:


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