sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Documentário PULSÃO expõe e abre reflexões para o impacto das mídias digitais na última década


Lançado virtualmente nesta sexta-feira, 4 de setembro, Pulsão chega para nos mostrar as consequências de uma década que se tornou altamente polarizada nas esferas das redes sociais por motivos políticos. 

Com direção de Di Florentino e pesquisa e roteiro de Sabrina Demozzi, o documentário faz um mergulho no uso crescente das redes sociais para ativismo político, e a influência que estas mídias tiveram nos grandes acontecimentos políticos dos últimos anos, começando nas manifestações de 2013, passando pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e culminando na eleição de Jair Bolsonaro.

Em produção desde 2016, o Pulsão passou por diversas transformações. A ideia inicial era que o filme fosse um simples registro do Circo da Democracia, evento que reuniu em Curitiba diversas figuras políticas e acadêmicas para debater a conjuntura política da época. De lá para cá, muita coisa mudou, e o Pulsão também: “como o material é muito importante historicamente, a gente queria transformá-lo em um longa-documental”, contou o diretor de Di Florentino. “Em conversas com os envolvidos na concepção da obra e uma vontade de tratar de temas que estavam aflorando na época, como é o caso dos efeitos da desinformação nas redes sociais e do uso dos algoritmos para disseminar o ódio, surgiu o Pulsão”.

Realizado sob o selo da Trópico, produtora audiovisual fundada por Florentino, Pulsão não foi o primeiro trabalho do diretor a examinar a esfera política brasileira. A Trópico produziu uma websérie documental chamada #manifesto - política de pessoa para pessoa, que acompanhou as manifestações contra e a favor da saída de Dilma Rousseff da presidência da República. Outros projetos realizados foram o #nosmanteremosfirmes, curta-metragem sobre a Primavera Secundarista com a participação da atriz Letícia Sabatella, e o documentário Acima da Lei, premiado no Olhar de Cinema e que tratou do primeiro encontro entre o ex-presidente Lula com o então juiz da Lava-Jato, Sérgio Moro.

Acesse o site do filme para conferi-lo na íntegra em casa.


Uma cadência de acontecimentos… longe de ter um final feliz



As primeiras impressões quando se assiste a Pulsão são de que os sete anos abordados no compilado que Di Florentino e Sabrina Demozzi apresentam são apenas uma primeira parte de uma série que ainda não encontrou um desfecho aprazível para si, ainda mais considerando os noticiários das últimas semanas. Munido predominantemente de imagens de arquivos, a equipe de cineastas é enfática ao posicionar o quanto as redes sociais, então ferramentas libertadoras para discurso para tantas pessoas, vieram a se tornar os principais meios de desinformação e de uma velada disseminação de ódio no Brasil.

Há uns vinte anos, era bastante comum ouvirmos das gerações anteriores que "não se discute política, futebol e religião", o que era algo próximo de qualquer conversa que assumia notas mais tensas. Alguns anos depois, a Internet passava a abrigar redes de amigos e a política brasileira passava a ver cenários de disputas eleitorais bastante polarizadas para a presidência do país. 

Enquanto um partido se consolidava com o sucesso de seus programas sociais, a outra parcela que não lhe cedeu o voto e que associava qualquer escândalo de corrupção àqueles líderes encontrou na convocação das manifestações de 2013, muito via convites de eventos no Facebook, um meio de encontrar cabeças com pensamentos semelhantes aos seus, todavia possa-se dizer o mesmo quanto aos simpatizantes do então governo. O resto dessa história ainda nos é fresco, mas o documentário nos expõe a cenas reais (que os telejornais omitiam) a ponto de afligir até mesmo a segurança de nossas informações na rede. Se um telefonema de uma presidente fora grampeado e espalhado aos quatro cantos, será que as suas fotos e o que você escreve nas redes também está em observação?

(Trópico/Reprodução)

Similar em estrutura aos recentes Espero Tua (Re)Volta e Democracia em Vertigem, embora não compartilhe de um discurso e abordagem mais intimistas, Pulsão adere a recursos gráficos quando é preciso explicar partes mais técnicas, o que parece ser uma alternativa atrativa para o espectador num momento em que se informar precisa ter uma checagem prévia dos fatos. No entanto, as pessoas querem ouvir e ler apenas o que elas querem. Disparos em massa em aplicativos de mensagens derrubaram campanhas audiovisuais milionárias que antes conquistavam o eleitorado indeciso à base da emoção e propostas que asseguravam uma confiança ao candidato. 

Não mais. O importante era só tirar uma gente (que já havia saído, diga-se de passagem) e colocar um outro cara com mais jeito, diz-se, de brasileiro – sem escrúpulos de dizer o que pensa. Esta primeira Pulsão pode ter parado nesse momento calamitoso, mas há de prover uma consciência tranquila para quem buscou ter sanidade quando foi necessário.  



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