terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Frozen 2 | CRÍTICA


Passados seis anos desde a estreia de sua oscarizada animação original, Frozen 2 surge grandioso e muito consciente do evento que se tornou para gerações. Enquanto algumas pessoas chegavam a  chamar a protagonista pelo título do filme e outras tantas (milhares, sem dúvidas!) cantavam "Let It Go" e suas respectivas versões mundo afora, é verdade que o sucesso de Frozen: Uma Aventura Congelante se deu também por suas personagens marcantes e, talvez a sua característica mais reverente em contraste com o passado do estúdio, o belo conceito sobre "amor verdadeiro". Se os curtas lançados nesse ínterim foram divertidos o suficiente para não deixar a febre esfriar, o tempo veio a calhar para o desenvolvimento da continuação que só tende a melhorar em seus atributos.

Novamente dirigida pela dupla Jennifer Lee e Chris Buck, que roteirizam ao lado dos compositores Robert Lopez e Kristen Anderson-Lopez, Frozen 2 está mais emocionante, inclusivo e épico. Enquanto o povo de Arendelle segue dias felizes e com direito a um Olaf (Josh Gad/Fabio Porchat) ganhando uma vertente reflexiva sem deixar de ser o brincalhão de sempre, não tarda para que um antigo mistério ameace a vida de todos no reino, o que faz com que Elsa (Idina Menzel/Taryn) e Anna (Kristen Wiig), além do romanticamente atrapalhado Kristoff (Jonathan Groff) e sua confidente rena Sven, rumem para o norte em busca de uma solução para conter o perigo iminente, deparando-se aí com uma mística jornada que também há de lhes fornecer revelações e constantes aprendizados sobre convivência entre povos.

(© Walt Disney Studios/GIPHY/Reprodução)

Conferindo uma importância aos pais das protagonistas além de afáveis cenas em flashbacks, é interessante reparar como a aventura se faz bem mais mágica e mitológica do que sua antecessora e se faz um entretenimento acessível para meninas e meninos, que devem ficar boquiabertos com as demonstrações de poderes e suas respectivas e coloridas representações dos elementos mágicos. A trilha sonora de Christophe Beck contribui para a sensação de grandeza que a trama adquire com cenários que parecem uma mescla de A Bela Adormecida com O Senhor dos Anéis, revelando Northuldra como um mundo escondido, antigo e indomável, mas não menos fabuloso.

(©Walt Disney Studios/Reprodução)

A partir daí, é realmente fascinante ver o que os realizadores conseguem alcançar nesta sequência, não se tratando apenas da narrada progressão das personagens principais. Se os poderes de Elsa fazem nossos olhos brilharem a julgar os ótimos efeitos aprimorados pela equipe de animação, reparar em demais elementos como texturas de roupas e cabelos chega a ser algo até mesmo distrativo tamanho capricho envolvido e que merece, sem dúvidas, ser contemplado, tal como o emocionante e corajoso arco desenvolvido para Anna. É uma pena, porém, que o arco de Kristoff seja a parte mais chata do longa, envolvendo canções que, todavia cômicas, se estendam além do necessário.

(© Walt Disney Studios/Reprodução)

Não ficando à sombra da laureada canção-tema do primeiro filme, são destaques entre as novas músicas "Into The Unknown" e "Show Yourself" que encantam pelo significado de suas letras ao passo em que Idina Menzel desconhece limites para reverberar seu timbre estridente acompanhada de uma diminuta participação de AURORA (para os menos familiarizados, a mesma cantora da abertura da novela global Deus Salve o Rei) e os riquíssimos arranjos instrumentais – no Brasil, respectivamente, as canções foram intituladas como "Minha Intuição" e "Vem Mostrar" e notam uma melhoria na interpretação de Taryn.

Enfim, Frozen 2 cumpre a meta natural de expandir seu universo como toda boa continuação deve fazer sem deixar de lado seu aspecto emocional – e, acreditem, há momentos para ótimas risadas e outros, inesperados, que há de apertar o coração para além do choro. Pairando a dúvida se a aventura se faz mesmo um ponto final para a história (por ora, a diretora confirma isso), o filme é eficiente na reiteração de suas valiosas mensagens e deixa a esperança para que o público, mesmo desprovido de elementos mágicos, possa transmiti-las resgatando a importância de se ter boas lembranças.





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