quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Pokémon O Filme: Eu Escolho Você! | CRÍTICA


Chega a ser irreal acreditar que Pokémon (tanto quanto game como anime) já possui duas décadas de existência com tantas aventuras contadas em suas telas envolvendo mais de 700 monstrinhos criados a capturar, além de jogos de cartas, brinquedos e demais produtos colecionáveis que tanto atiçaram – e ainda o fazem – os milhares de fãs por todo o globo. Embora a "febre" pouco tenha durado no Brasil ainda na virada do milênio e que daí tenha se tornado uma franquia apreciada por seu contingente mais "nerd", brinquedos no McDonald's, temporadas da série animada disponíveis no catálogo da Netflix e o jogo para smartphones Pokémon Go (o crucial!) reavivaram uma gostosa diversão tida como esquecida para o grande público, todavia sempre presente nos jogos da Nintendo que também evoluíram com o tempo (tal como seus preços). Completando essa cerimônia especial que já conta com a ótima e repaginada fase Sol e Lua no anime, é com o novo Pokémon O Filme: Eu Escolho Você! que os fãs resgatam a nostalgia de ver Ash e Pikachu nos cinemas em uma aventura que, apesar de ser bastante familiar e um tanto quanto imperfeita, se prova digna de uma grande emoção.

Apresentado em boa parte do mundo em cinemas selecionados nos dias 5 e 6 de novembro e com suas sessões cheias (o que deixou muita gente sem ganhar o card promocional por aqui…), Eu Escolho Você! reconta parcialmente o que é não é novidade alguma para os fãs que viram a primeira temporada repetidas vezes, mas longe de ser uma releitura completa de quadro-a-quadro e com linhas de diálogos idênticas. O roteiro de Shôji Yonemura foca estritamente na relação de amizade que Ash e Pikachu constroem ao longo da jornada em sua superação de diferenças (em outras palavras, teimosias) e tomando como pretexto da trama o aparecimento do raro Ho-oh também veiculado no primeiro episódio do anime e circundando aí uma lenda sobre o item Asa Arco-íris. Minuto a minuto, a narrativa toma passos alternativos às histórias contadas nos jogos e no anime sem querer desrespeitar o apreço que os fãs guardam pelos antigos episódios e, assim, os conhecidos arcos de Caterpie (divertido!) e Charmander recebem inícios, meios e fins semelhantes, porém conectados ao andamento da história principal ao invés de suas digressões na série que tanto retardavam a chegada ao próximo ginásio. Novos amigos e um rival (com nomes peculiarmente localizados para o Brasil) são encontrados e acrescem com suas subtramas, pokémon lendários surgem no caminho entre outros que não se limitam apenas às suas regiões originais (incluindo o dúbio Marshadow) e a Equipe Rocket também marca presença pra reforçar alívios cômicos, todavia reduzidos a esquetes que pouco lembram sua importante ajuda nos filmes anteriores.

De propósito obtuso, ainda que faça relevantes abordagens de temas não muito difundidos em seu milhar de episódios na TV (sobretudo, o peso da morte), Pokémon O Filme: Eu Escolho Você! (Gekijouban Poketto monsutâ: Kimi ni kimeta!, no original japonês) traz um roteiro não muito efetivo que, em meio a sua vontade de contar tanta coisa nova mesclando com a nostalgia, resulta em uma sequência de breves e deslocadas passagens por mais que sua primeira metade seja muito boa e que o habitual e bem humorado clima lúdico da franquia seja uma constante onde há espaço para as risadas (afinal, o sonho de Ash em ser um Mestre já virou piada mesmo…) e para apertos no coração que culminam em lágrimas sinceras de um bom reencontro com o passado – mesmo que os incidentes até lá sejam um tanto quanto exagerados. Enquanto uma fala inesperada divide opiniões (mais para debochadas), é digno de nota o esforço que a nova dublagem brasileira (substituída na série XYZ) tomou para entregar uma agradável experiência para os fãs tal como eram bem acostumados, com destaque para Charles Emmanuel que, por fim, acerta na obstinada entonação juvenil de Ash – e "recomeçar" a história do zero não poderia ser melhor neste caso, assim como para uma nova geração que agora pode pegar de vez o espírito de uma boa aventura sobre amizade.




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