quinta-feira, 20 de abril de 2017

Vida | CRÍTICA


Engrossando o caldo de ficções científicas espaciais lançadas e premiadas nos últimos anos, Vida (Life) sintetiza o que há de melhor nas produções do gênero recentes e, desse modo, cria uma história que não almeja ser inovadora, revisionista ou autoral, com dilemas filosóficos flutuando de sobra pela gravidade zero. Tendo em mãos a retomada de interesse científico por Marte, o filme dirigido por Daniel Espinosa (Crimes Ocultosutiliza as propriedades do terror espacial com relativa decência e entrega uma convencional, mas ainda maliciosa, recompensa para aqueles que desconhecem o pavor que tão bem consagrou Alien - O 8º Passageiro.

Com roteiro assinado pela dupla Rhett Reese e Paul Wernick (ambos de Deadpool), Vida parece uma combinação de Gravidade, Perdido em Marte e, claro, Alien por razões estéticas, intelectuais e narrativas tão evidentes. Assim, acompanhamos a tripulação de uma ISS montada com dinheiro americano, inglês, russo e japonês em suas pesquisas acerca do solo do planeta vermelho e é numa das amostras analisadas pelo Dr. Hugh Derry (Ariyon Bakare) que a equipe se vê diante de um organismo que passa a consumir vorazmente glicose e oxigênio. Do que parecia um ser inofensivo, tão logo surge como uma criatura de "músculos, cérebro e olhos" em constante crescimento e ameaçando a sobrevivência dos astronautas, interpretados por Rebecca Ferguson, Jake Gyllenhaal, Olga Dihovichnaya, Hiroyuki Sanada e Ryan Reynolds.



Projetando uma eficaz apresentação de seus personagens principais em um plano-sequência bem fotografado por Seamus McGarvey (Animais Noturnos), é válido notar como Espinosa e os roteiristas se aproveitam da gravidade zero ao torná-la um elemento narrativo importante na caracterização dos roteiristas, fornecendo revelações até que importantes para o andamento da história, onde aquela estação espacial se tornou a nova morada deles e cada ação tomada seguem um protocolo científico. Chama a atenção também o bom e tecnicista design de produção da nave, cuja estrutura harmônica (e que aproveita piso e teto) torna a experiência ainda mais interessante para quem gosta do assunto.

No entanto, a criatividade de Vida não vai muito longe, refletida principalmente nas tentativas pífias e pouco inspiradas dos astronautas ao combater a fera marciana – ou assim os cineastas querem que ela seja vista como indefectível. Abraçando o sistema de eliminação gradual de personagens e a carência de recursos vitais impostos aos mesmos, os clichês de títulos congêneres se reiteram previsíveis e com punições que vem a cobrar os erros pregressos de cada integrante ali, embora hajam momentos soltos que aspiram inteligência (tal como um rastreador engolido pela criatura). A trilha sonora também não favorece em seu ímpeto de tornar as cenas mais grandiosas e escandalosas do que deveriam, pressupondo que o filme merece notas tão retumbantes quanto aquelas de 2001 - Uma Odisseia No Espaço.



Nem tudo no filme está relegado ao espaço profundo, por sorte. Há carisma nos personagens (mais pelo fato de serem Reynolds, Ferguson e Gyllenhaal ali no meio) e a mutação da criatura marciana é instigante o suficiente para ficarmos apreensivos quanto as suas futuras formas e ações cruéis, além de as cenas finais também amplificam o desespero em tão logo saber o destino de quem sobreviveu, seja lá de qual nação for.



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