quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

TURMA DA MÔNICA JOVEM: REFLEXOS DO MEDO …e da lástima de assistir | CRÍTICA


Guardo bem na memória a fala de Maurício de Sousa durante a sua participação na Omelete Arena da CCXP19 sobre ter adorado fazer cinema e que, depois de Turma da Mônica: Laços, fariam mais e melhor. Mais do que satisfeito ao comprovar que a MSP cumpriu com o prometido por seu patriarca com Lições, chega a ser inadmissível ver que a nova empreitada em adaptar "Turma da Mônica Jovem", um êxito nos quadrinhos também, seja uma experiência cinematográfica tão aborrecível que é difícil imaginar até o público-alvo gostando.


Quando Turma da Mônica Jovem: Reflexos do Medo foi anunciado, muito se contestou a troca de elenco, apesar de ser evidente que a nova roupagem seria mais distinta dos filmes dirigidos por Daniel Rezende e sua pegada mais saudosista. Aqui, temos a turma de agora adolescentes com roupas descoladas (e bem bonitas, diga-se de passagem), usam o celular pra quase tudo e gírias do momento estão no repertório também (“confia!”). Tudo calmo e tranquilo no Bairro do Limoeiro não fossem as empreitadas esquisitas do roteiro com artefatos místicos, sociedades secretas de magia e uma trama de terror reunindo tudo isso que tem dificuldade de se argumentar desde a cena inicial com o personagem de Mateus Solano.


(Foto: Nat Odenbreit © Mauricio de Sousa Produções/Imagem Filmes/Divulgação)


O elenco, agora liderado por Sophia Valverde como Mônica, não se compromete em demonstrar o vínculo de amizade tão conhecido pelo público, ainda que Cebola (Xande Valois) e Cascão (Théo Salomão) sejam infalíveis em seu companheirismo, o que não acontece com Magali (Bianca Paiva, retida a subtrama de iniciação em magia) e Mônica, cujas motivações acabam tornando a então-baixinha numa figura por vezes isolada dos amigos mesmo estando ao redor deles.


(Foto: Nat Odenbreit © Maurício de Sousa Produções/Imagem Filmes/Divulgação)


Não bastasse a trama tão trincada feito espelho quebrado, a trilha sonora onipresente é tão genérica e viciada em sugerir emoções para cada cena que só piora o acompanhamento da narrativa, logo quando o elenco poderia dar conta disso em pleno silêncio. Os efeitos visuais tampouco ajudam e o confronto com o vilão Cabeça de Balde tem marcação e decupagem tão ruins que não conferem impacto algum.


Notável por seu desejo de constituir uma narrativa continuada a la Marvel trazendo mais elementos da saga Turma da Mônica Jovem para o futuro, apesar de o roteiro teimar em fazer seus personagens questionarem a possibilidade do surreal (sendo que isso nunca foi problema nos longas animados antigos), esta nova versão live-action subestima o espectador ao entregar um filme com acabamento de seriado de TV adolescente batido esquecendo do maior trunfo da turma.




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