quinta-feira, 31 de outubro de 2019

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio | CRÍTICA


Em constantes eliminações sempre que uma nova sequência era anunciada enfatizando retomar os rumos originais da franquia, as continuações de O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final dificilmente tiveram o mesmo nível de apreciação que o longa dirigido e lançado por James Cameron em 1991 alcançou no público, por mais que Arnold Schwarzenegger estivesse presente, de certa forma, em todas elas. Seja pela ausência do estilo de direção de Cameron ou na carência de um roteiro com um contexto e potencial imagético estremecedor (a cena de Sarah Connor testemunhando um ataque nuclear ainda é emblemática), o favoritismo para o segundo longa se manteve imutável – e muito que com razão. 

Há tempos afastado do controle criativo de Terminator muito que por conta de suas duas últimas produções bilionárias, o anúncio do retorno de James Cameron como produtor e tratando de resgatar Linda Hamilton, a indômita Sarah Connor original (e ex-esposa do cineasta, diga-se de passagem), prenunciava um filme de ação fulminante como a marca consegue ser, mas acaba que são justamente as suas novidades em sua mitologia que sustentam o prometido espetáculo explosivo, agora nas mãos do diretor Tim Miller.

(© Paramount Pictures/GIPHY/Reprodução)

Com argumento assinado pelo próprio Cameron e roteiro co-assinado por nomes experientes como David S. Goyer (Batman vs Superman), é verdade que O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio trata de fazer justiça ao legado da icônica personagem de Hamilton apresentando-a com sua aparência dos anos 1990, para então mostrar uma mulher que envelheceu entre a fuga e a amargura. Em meio a revisões sobre sua personagem (a analogia com a Virgem Maria deixa de ser metáfora implícita para ser comentada) e perseguições acirradas com direito a retumbante e onipresente trilha sonora de Tom Holkenborg, Sarah, entretanto, já não é mais o foco deste novo conto, o que rende um mistério que, até certo ponto, sustenta o mistério ao redor da mexicana Dani Reyes (Natalia Reyes), protegida sem cessar pela aprimorada Grace (Mackenzie Davis, de Blade Runner 2049 e do episódio 'San Junipero' da série Black Mirror) e acossada pelo novo exterminador Rev-9 interpretado com afinco por Gabriel Luna (o Ghost Rider da série Agents Of S.H.I.E.L.D.).

(© 20th Century Fox/Divulgação)

Demonstrando um primeiro ato fascinante que deixa a ação fluir freneticamente com seus cortes ágeis, efeitos sonoros e frases de efeito pipocando a cada segundo, o que faz com que Mackenzie Davis surpreenda a cada plano em que aparece exibindo seu convincente preparo marcial ao passo em que Linda Hamilton não decepciona em seu regresso, fazendo de Sarah uma figura interessante e carismática mesmo com James Cameron ainda assinalando que mulheres fortes precisam ser duronas e másculas. Nisso, chega a ser irritante atestar que Grace sempre pega roupas de homens para se vestir – ironicamente, o roteiro aponta que são mesmo as mulheres as verdadeiras salvadoras da humanidade.

(© 20th Century Fox/Divulgação)

Se o divertimento se garante na primeira metade da projeção, o mesmo não pode se dizer do restante de Terminator: Dark Fate. Todavia os flashbacks no ano de 2042 somem a narrativa, o excesso de explicações começa a se tornar entediante enquanto a versão corrente do T-800 de Schwarzenegger estranha pela lentidão com que o ator emprega em suas falas, a direção de Tim Miller começa a parecer criativamente limitada. Sequências de ação grandiloquentes (vide aquela do avião para a usina), ao invés de empolgantes, começam a irritar pelo excesso de câmeras tremidas e um uso maior de dublês digitais além da frustração em ter um obstáculo praticamente invencível. Não que no passado fosse diferente, aqui, todo o potencial do Rev-9 é demonstrado na já emblemática cena na estrada.

(© Paramount Pictures/GIPHY/Reprodução)

Um pouco ameno em seu temor pelo amanhã dominado por máquinas (ou melhor, inteligências artificiais), mas sutil em sua sugestão ao mostrar um robô polindo um carro numa indústria e desempregando pessoas, de qualquer forma, o saldo é positivo para O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio que, num todo, resgata aquele entretenimento jocoso que flerta com a breguice e personagens simples, porém cativantes, que seguram a ação como nos melhores títulos do gênero. Possível desfecho positivo para uma franquia que tanto moldou o imaginário popular por quase quatro décadas, resta saber qual será o seu destino (sombrio mesmo, como de muitas outras fitas do estúdio?) considerando sua submissão por outra grande corporação.



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