terça-feira, 27 de novembro de 2018

De Repente Uma Família | CRÍTICA


Outro ano se passou e cá está Mark Wahlberg em mais outro filme-família que tanto costuma atrair o público nessa época de solenidades natalinas. Ainda que não se trate de mais um episódio de Pai em Dose Dupla, De Repente Uma Família marca a terceira parceria do astro com o diretor Sean Anders, que evoca um tom autoral ao entreter com os altos e baixos do processo de adoção.


Com roteiro co-escrito pelo diretor e por John Morris (Família do Bagulho), o filme apresenta o casal Pete (Walhberg) e Ellie (Rose Byrne) que, há tempos se dedicando num lucrativo negócio de venda de casas reformadas por eles próprios, jamais pensaram em ter filhos até se comoverem com os relatos de órfãos na Internet. Decidindo participar das reuniões do processo adotivo instruído pelas pacientes Sharon (Tig Notaro, série One Mississippi) e Karen (Octavia Spencer, A Forma Da Água) em meio a outros tipos de família (desde o casal religioso, gay e uma mãe solteira), Pete e Ellie decidem adotar um trio de irmãos de ascendência latina cuja mãe tem um lamentável histórico de dependência química. Se a indiferente Lizzie (Isabela Moner, Transformers 5), o estabanado Juan (Gustavo Quiroz) e a insistente Lita (Julianna Gamiz) pareciam ser fáceis de lidar nos primeiros dias, não tarda para que o casal comece a pensar em desistir do procedimento tamanha dificuldade na relação com a adolescente e as crianças – mas qual família nunca passou por isso?

Paramount Pictures/Divulgação)

Conciliando um equilíbrio de boas passagens cômicas (é hilária a gag com um filme que rendeu um Oscar de Melhor Atriz à Sandra Bullock) e um drama que incentiva os conflitos durante a narrativa, ainda que sempre em busca de soluções fáceis para resolvê-los, aos poucos, De Repente Uma Família vai mostrando a pluralidade de seu tema ao apresentar situações de felicidade ou implicâncias que vão desde indiretas na mesa dos pais de Ellie (a estabilidade financeira é irrelevante quando prover netos é um peso maior), o reflexo das gerações (a mãe de Pete, Sandy/Margo Martindale, e o bom comportamento adquirido com uma nota farta de dólar) aos perigos de que conteúdos são recebidos no celular de uma adolescente. Chama a atenção ainda os bons cortes elípticos na primeira metade do filme, tornando a experiência mais dinâmica e divertida.

Talvez dono de conflitos por vezes inflados (vide as cenas de tribunal), porém comovente nos momentos certos e trazendo uma ponta de Joan Cusack (Escola de Rock) como uma vizinha xereta, De Repente Uma Família (Instant Family) se faz um longa honesto e incentiva o olhar caridoso para a adoção sem culpar a quê e a quem acerca do contingente de crianças em abrigos. O que importa aqui é a alegria em se aceitar como família acima de quaisquer defeitos.



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