sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Venom | CRÍTICA


Após uma tentativa conturbada de se estabelecer o chamado "Aranhaverso" nos cinemas em 2014 com O Espetacular Homem-Aranha 2 inflando a narrativa com personagens e conflitos de sobra, a Sony Pictures se viu desimpedida de retomar seu projeto cinematográfico uma vez que sua principal propriedade atualmente é compartilhada com a Marvel Studios e, assim, mantendo a mais do que boa arrecadação de sempre. Enquanto pretende apresentar o Homem-Aranha do jovem negro Miles Morales com a vindoura animação Homem-Aranha no Aranhaverso, com Venom, o estúdio foca na apresentação de um dos mais reverenciados anti-heróis da editora sem pretensões de seguir na mesma linha da primeira apresentação do personagem no filme do Aracnídeo lançado em 2007.

Se era para se fazer jus ao personagem (que não teve tanta sorte com a performance de Topher Grace), infelizmente, o título se parece muito com os longas mal sucedidos da Marvel na década passada – em especial, com aqueles também produzidos pela mão pesada de Avi Arad. Diferente do simbionte negro, a trama roteirizada pela sistemática dupla Jeff Pinkner & Scott Rosenberg (Jumanji: Bem-Vindo à Selva) e Kelly Marcel (Cinquenta Tons de Cinza) e Will Beall (Aquaman) não é cativante e carece de brilho próprio, a parte da ficção científica é construída tendo a previsibilidade como fundação e há uma constante indecisão se a trama parte para o romance, para o gore ou pelo espetáculo de ação. Em toda essa turbidez, até mesmo a omissão de referências à Peter Parker/Homem-Aranha passa a frustrar para quem esperava o mínimo disso.

Sony Pictures/Divulgação)

Uma vez que os efeitos visuais se encontram particularmente bons (ainda que aqueles de Homem-Aranha 3 eram bem mais convincentes por seu aspecto grudento), cabe ao elenco tentar transmitir uma dose mínima de carisma ainda mais quando a direção de Ruben Fleischer (do divertido Zumbilândia) soa bastante apática. Tom Hardy convence e muito como Eddie Brock sendo um repórter investigativo engajado, mas o texto lhe deixa na mão tendo um plano de fundo tão farsesco, enquanto a voz que cria para Venom surge como um ótimo e cômico adendo. Riz Ahmed (Rogue One) tenta criar um vilão interessante, mas seu papel é estereotipado demais. Se Michelle Williams parecia a pessoa mais deslocada para tal produção, acaba que sua personagem detém momentos mais do que empoderados.

Sony Pictures/Divulgação)

Quisera ser violento em verbo e imagem tal como Logan, acaba que Venom é um título moderado demais – e é preciso que chegue à primeira de suas duas cenas pós-créditos para ganhar uma formidável camada de interesse além daquela empolgante sequência de fuga de moto nas onduladas ruas de San Francisco. Se a fórmula-Marvel Studios já parece esgotada por seu sistema de insaciabilidade, a estrutura que Avi Arad impõe aqui é um engodo cansativo (mesmo contendo menos do que duas horas de projeção) e um estranho retorno à década passada que até mesmo a música-tema por Eminem ajuda a contribuir.



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