quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Annabelle 2: A Criação do Mal | CRÍTICA


Ao contrário do tom geral de seus filmes, o universo dos episódios de Invocação do Mal dirigidos por James Wan trilha um brilhante e promissor caminho proporcionado pela mútua aclamação da crítica e do público, diferente de tantos outros títulos supostamente lucrativos que a Warner se esforça em lançar nos cinemas, aproveitando a chance de desenvolver a fundo os malignos personagens vistos nas investigações do casal Warren, assim como conceder a direção dos derivados a novos cineastas dispostos a comprovar seu talento. Tendo agradado o estúdio com Quando As Luzes Se Apagam em 2016, o diretor David F. Sandberg trata de fazer de Annabelle 2: A Criação do Mal uma assustadora experiência próxima e digna dos dois ótimos The Conjuring, todavia mantendo sua insegurança quanto a se abdicar dos velhos clichês do gênero.

Ambientado no interior dos Estados Unidos no que parecem ser os idos da década de 1950, o filme instiga-se em contar o surgimento da boneca desde a sua fabricação até o momento em que, tido como um objeto encapetado, proporciona diversos males a qualquer pessoa que estiver próxima. Tudo começa basicamente quando o casal Samuel e Esther Mullins (interpretados por Anthony LaPaglia e Miranda Otto, a Éowyn de O Senhor dos Anéis) tenta suprir a falta de uma criança correndo pelo lar após terem perdido a sua filha única há 12 anos e, quando as meninas órfãs guiadas pela Irmã Charlotte (Stephanie Sigman) chegam à sua espaçosa morada, tão logo o silêncio do local passa a ser interrompido quando algo parece amedrontar as garotas, algo que indica para o quarto fechado da falecida "Bee", para o comportamento carrancudo de Samuel e uma agora enfermiça e mascarada Sra. Mullins. Gradativamente, as meninas passam por noites e dias agourentos e, aí, nem mesmo a Fé é capaz de livrá-las dos olhares malignos da boneca.


Prezando pelo susto como atração principal, por vezes retardando-o após a execução de uma estridente trilha sonora, Sandberg demonstra sua evolução natural como cineasta ao fazer bons enquadramentos (apesar de querer repetir as piruetas de câmera que só James Wan parece fazer) que explicitam o terror considerando a locação solitária e uma inicial falta de explicações, sem contar o breu que toma conta de boa parte dos cenários ao redor das personagens prestes a serem vítimas, entretanto, resolvendo a maioria dos incidentes com os tradicionais e sonoros jump scares. Boa parte do elenco se porta e soa com o texto decorado, mas as meninas Lulu Wilson (um dos melhores trunfos de Ouija: Origem do Mal) e Tabitha Bateman, além da veterana Miranda Otto, mesmo que reduzida, fazem o filme valer a pena tamanha dedicação e pela condução de uma história onde personagens femininas estão em maioria, o que não quer dizer que tenham total relevância.


Com sua geral boa execução dos efeitos (em outros casos, os efeitos digitais pouco convencem), um demônio pra lá de medonho e que gosta de ver sangue escorrer pelas paredes e soalhos, sem se esquecer de dar uma pista sobre a tenebrosa Irmã de Invocação do Mal 2, Annabelle 2 tem uma narrativa de movimentos bastante previsíveis, mas é "agradável" o suficiente para o público que espera um filme de terror que o faça se sentir deliciosamente tenso e inquieto na poltrona, por mais que as sessões de exorcismo desse universo, agora com mais spin-offs em produção, estejam longe de acabar – e isso não é nada ruim. 




P.S.: Há conexões diretas com o filme de 2014 e cenas pós-créditos.

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