terça-feira, 22 de novembro de 2022

MUNDO ESTRANHO – contrariando aparências | CRÍTICA

A família Clade em MUNDO ESTRANHO


A uma primeira vista, Mundo Estranho (Strange World, no original) parecia um projeto talvez incerto para os estúdios da Walt Disney Animation levando em conta o apreço pouco caloroso que Atlantis - O Reino Perdido e O Planeta do Tesouro receberam há duas décadas. De um provável receio de que o flerte gradativo com a ficção científica afaste o público (à época dos dois primeiros, dizia-se que o interesse estava, então, na animação 3D), o novo filme dirigido por Don Hall (Raya e o Último Dragão, Moana) com roteiro de Qui Nguyen (também de Raya) comprova que é possível conciliar o divertimento com uma fantasia que se deixa levar pelo fascínio pela ciência que tanto desperta a imaginação.

Da razão ao coração. É assim (descrevendo sucintamente) que a narrativa faz o espectador embarcar para a remota Avalônia, uma terra em que nenhum habitante conseguiu ultrapassar as montanhas e ver o que há além. Tal como nas crises vistas em Moana e Raya, não tarda para que haja indivíduos obstinados a superar limites e, desta vez, acompanhamos as gerações da família Clade. Das intrigas externas, não tardam os conflitos paternos que percorrem até mesmo por décadas e, se desbravadores podem se tornar descobridores de um recurso energético para a nação, tudo pode mudar nesta história que, a julgar pela tipografia do título a la Indiana Jones/Duck Tales, parecia ser uma mera jornada fugindo de criaturas esquisitas por cenários quase que lisérgicos.

Jake Gyllenhaal e Dennis Quaid são as vozes originais de Searcher e Jaeger Clade.
(© Disney/Divulgação)

Conduzindo a trama com muita reverência à cultura pulp (vide as sequências ao estilo 2D e até pinturas que lembram as capas da antiga revista Heavy Metal) e às fitas clássicas de aventura com a trilha de Henry Jackman honrando os trompetes dos arranjos de John Williams, é muito interessante apontar como Mundo Estranho reitera a necessidade de se desvencilhar de paradigmas. Grata surpresa: sem relegar a segundo ou terceiro plano, a diversidade posta à frente e tratada com afeto, sem mais alardes (como bem já fizera a Pixar com Lightyear, surtos à parte). No risco narrativo de dizer algo que, em seu desfecho pode acabar contrariando, vemos o jovem Ethan explicando que não existem vilões e que a protocooperação pode ser muito que funcional.

(© Disney/Divulgação)


Afável e entusiasmado, o resultado final de Mundo Estranho pode não entregar a incursão mais inédita do momento (apontamentos para Avatar não devem parar apenas nas criaturas), porém, só de ser guiado por caminhos narrativos tão distintos, cômicos e empolgantes, é uma experiência que vale cada minuto.

 

Assista ao trailer: 

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