quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Monster Hunter | CRÍTICA

Milla Jovovich em MONSTER HUNTER

Paul W.S. Anderson é um cineasta que, há uns 25 anos, tornou-se um nome promissor ao lançar Mortal Kombat: O Filme, marcando época por sua habilidade em transpor as coreografias fatais do jogo de luta para a tela com o que havia disponível de efeitos especiais e visuais daqueles tempos, comprovando que boas adaptações de games poderiam existir no cinema. Em suas quatro aventuras dirigindo os filmes Resident Evil (embora tenha roteirizado toda a hexalogia), a relação mais de ódio do que amor por parte dos fãs dos jogos da Capcom vem à tona novamente quando o cineasta retorna ao meio gamer juntamente acompanhado de sua musa e esposa para levar outra franquia da desenvolvedora japonesa às telonas. Do que já se espera do estilo compulsivo do diretor, Monster Hunter ainda é um bom entretenimento em sua mescla de escapismos fantásticos.

Inspirado nas histórias dos jogos criados por Kaname Fujioka, o roteiro de Anderson nos leva a uma transição de mundos com muito militarismo, criaturas aterrorizantes e uma mitologia obtusa e mais contida do que o esperado. Investigando o sumiço de uma equipe num terreno desértico, a tenente Artemis (Milla Jovovich) e sua tropa cai em outra paisagem desértica, mas logo são acossados por um monstro casca-grossa (literalmente) e imbatível para o poder de fogo que detêm, restando à tenente confiar no estranho caçador (Tony Jaa) para chegarem à misteriosa torre que marca o horizonte e encontrar respostas e uma saída para aquele lugar tão ameaçador.

Tony Jaa em MONSTER HUNTER
(© Sony Pictures/Divulgação)

De Diablos a Nerscyllas ao lendário dragão Rathalos, o cineasta procura ser fiel aos visuais dos games e aproveita a oportunidade para referenciar títulos pelos quais aparentemente estima. Ora, se a sequência da fuga de carros no deserto com seus tantos planos picotados parece, senão, sua versão de Mad Max: Estrada da Fúria (não por menos, tem no elenco um ator que fez parte deste filme), a sufocante passagem na toca das Nerscyllas vai de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei a Aliens - O Resgate com uma mão pesada no horror. E, de fato, Anderson investe muito tempo de tela nessa parte da mesma forma que retarda toda a relação de teimosia entre Artemis e o caçador a ponto de nos vencer pelo cansaço de tão repetitiva, culminando num terceiro ato completamente apressado.

Milla Jovovich em MONSTER HUNTER
(© Sony Pictures/Divulgação)

Com efeitos sonoros barulhentos o suficiente para quem busca este tipo de entretenimento e sem piadinhas como a dos últimos Jumanji, Monster Hunter tem em suas cenas de ação os seus melhores momentos – e como seria mais interessante se fosse direto ao ponto! Milla Jovovich está ótima e mantém a nossa credibilidade perante aquele universo (muito diferente da estupidez de Gal Gadot em Mulher-Maravilha 1984) em sua demonstração de força e até mesmo a produção merece uma admirável menção por trazer um elenco miscigenado que vai de Ron Perlman a nossa conterrânea Nanda Costa, embora o roteiro não lhes dê muito a fazer. Ainda assim, enfrentar monstros não é nada quando o exigente público gamer há de ser um dos fatores a determinar se a missão pode ter um aval para continuar nos cinemas ou se ater ao seu meio original.


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