quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A Grande Mentira | CRÍTICA


Tal como todas as experiências ao longo da vida, as apreciações fílmicas também compartilham de semelhantes expectativas: a ansiedade por algo bom que, na maioria das vezes, tende a ser tão logo substituída pela decepção. Frase indiretamente falada pelo personagem de Ian McKellen enquanto conversa com sua paquera encontrada num site de relacionamento, no que era pra ser um suspense capitaneado por uma dupla de gigantes do teatro inglês, A Grande Mentira retarda-se a ser estupidamente decepcionante.


Na trama, roteirizada por Jeffrey Hatcher a partir do romance homônimo escrito por Nicholas Searle, Roy (McKellen) e Betty (Helen Mirren) se conhecem e se abrem com facilidade, desmentindo seus nomes e demais hábitos assinalados no site onde se encontraram. O que Betty não sabe ou sequer desconfia, é que Roy é nada menos do que um golpista que tenta lucrar à custa de empreendedores deslumbrados e, agora, está de olho na recém-viúva que tanto parece querer uma companhia masculina ao seu lado. Do quarto emprestado a uma viagem por Berlim, o casal vai se descobrindo a partir da convivência (a contra-gosto do único neto dela), embora as marcas do passado e um golpe iminente possam afligir a relação.

(© Warner Bros. Pictures/Divulgação)

A direção de Bill Condon (A Bela e A Fera, A Saga Crepúsculo: Amanhecer) é pouco relevante, apesar de seguir à risca alguns mandamentos do suspense enquadrando detalhes e deixando os planos durarem um pouco mais na observação dos olhares das personagens, inferindo que cada um sabe mais do que o outro na trapaça. Ocasionalmente, a narrativa oferece um ou outro momento de descontração que até se assemelharia com partes do agradável Do Jeito Que Elas Querem, mas guinadas súbitas de violência (a cena na estação de metrô) e sequências de flashback remontando aos tempos da Segunda Guerra Mundial com excesso de exposição comprometem o acompanhamento dessa história, já prejudicada com a transferência monetária que circunda o conflito. Se a intenção era confundir o espectador dessa forma, o filme tem seu mérito por isso.

(© Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Todavia um convite irrecusável para ver Ian McKellen representando um vilão depois de tanto tempo e apreciar Helen Mirren com seu semblante de várias nuances, A Grande Mentira (The Good Liar, no original) volta a se comprometer quando aplica sua reviravolta carregada de explicações e resoluções supérfluas pouco relevantes para personagens que dificilmente nos deram algum senso de empatia. Antes fosse um suspense detetivesco ou uma trama de vingança moderna, o longa até tenta, mas lhe resta ser apenas uma chatice que engana o seu público e que subestima o seu ótimo elenco principal.



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