terça-feira, 28 de agosto de 2018

Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas | CRÍTICA


Desde que receberam um traço cartunesco tal como a maioria das produções originais e atuais da Cartoon Network, a super equipe dos Jovens Titãs passou por duas temporadas enfrentando a repulsa de muitos fãs que não economizavam palavras para desmerecer as (então) novas caracterizações de Robin, Estelar, Mutano, Ravena e Ciborgue, além dos roteiros com sua guinada para bobagens típicas do público infanto-juvenil. Em uma surpreendente terceira temporada, Os Jovens Titãs em Ação! encontraram um equilíbrio narrativo ao projetar os momentos de heroísmo que estavam em baixa se comparado às tantas histórias de paixonites e (maus) hábitos alimentares do time, no entanto, o que melhor funcionou para o seriadinho animado foi o uso da metalinguagem ao se declarar consciente das críticas recebidas e, a partir daí, partir para uma experimentação a cada episódio, um mais divertido que o outro.

Assim, a chegada de Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas não só demonstra a sagacidade de explorar os super-heróis da DC nas telonas com outros recursos narrativos além do live action (vide LEGO Batman: O Filme), como bem satiriza com a sua própria situação ao estabelecer o seu multiverso cinematográfico.

Dirigido pelos mesmos responsáveis do programa da TV, Aaron Norvath e Peter Rida Michail, Teen Titans Go! To The Movies resgata boa parte das piadas verbais e visuais que já existiam nos episódios sem que isso seja um requisito mínimo para os espectadores (dos mais novos aos mais velhos) que irão se divertir à sua maneira com a quantidade saborosa de referências que pipocam para todos os lados da cultura pop. Situando o quinteto como um grupo que leva a tarefa de "salvar o mundo" sempre na brincadeira e sombreados pela Liga da Justiça, os Jovens Titãs querem ser reconhecidos como os tantos outros heróis, vilões e até apetrechos que ganham filmes em produção e, consequentemente, se tornam mais conhecidos do grande público. A partir daí, quando o Garoto Prodígio e turma migram para os estúdios da Warner Bros. em Hollywood atrás da influente diretora Jade Wilson (voz original de Kristen Bell) implorando por uma chance de estrelar um longa, a equipe vai de encontro ao vilão Slade (também conhecido como Deadpool Exterminador, com voz original de Will Arnett) para, enfim, ter um merecido prestígio por parte da comunidade. Nesse ambiente de egos (Robin que o diga), porém, os Jovens Titãs descobrem um plano maligno que, ironicamente, muito condiz com o atual cenário da indústria cinematográfica americana e sua compulsão por franquias e spin-offs e serviços de streaming pelos quais o público já não sabe de onde mais tirar dinheiro para consumir.

Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Enquanto números musicais e gracinhas envolvendo trapalhadas, maldades e flatulências divertem os pequenos que se apegam muito fácil aos personagens, a parcela adolescente e adulta pode encontrar no filme um ótimo programa cheio de ironias e se ver apontando para a tela a cada referência inusitada principalmente em segundo plano de cada cenário. Se a autocrítica não poupa as produções do selo nos anos anteriores (o Superman de Henry Cavill com bigode existe aqui), o histórico exagerado de apetrechos do Batman, os desmedidos anúncios de filmes (a julgar pelos tantos pôsteres afixados fora da sala do cinema ou dos estúdios Warner) e até os traços ditos infantilizados que se veem em animações como Gumball, Steven Universe e no inédito reboot de Thundercats (senão o ápice do rebuliço nas redes) surgem durante uma canção quase que psicodélica, não faltam alfinetadas à Marvel (com direito a uma participação fenomenal!) e lembranças de um passado onde a produção do subgênero era tímida entre um maior misto de propriedades intelectuais. Não obstante, muitos poderão não entender a menção aos Animaniacs quando Estelar aponta para a famosa caixa d'água do estúdio.

Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Excepcional por sua predileção à animação 2D e cartunesca – enquanto uma a maior parte do mercado continua a investir esforços no realismo de sua tridimensionalidade digital – e definitivamente superior aos tantos filmes animados dos personagens que saem direto em vídeo (e, se duvidar, além de muitos dos episódios da série), Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas pode ser tanto uma porta de entrada para se conhecer os heróis e vilões de forma descontraída como uma boa alternativa para a Warner repensar em seus lançamentos enquanto desperdiça outras tantas oportunidades. Nada contra a seriedade, mas às vezes se divertir sem precisar ouvir um derradeiro discurso moral nos faz lembrar de como a narrativa heróica era bem mais simples e jocosa.



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