sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Valerian E A Cidade dos Mil Planetas | CRÍTICA


Há muito os adoradores de O Quinto Elemento esperam pela continuação deste que consideram um dos melhores filmes cult de ficção científica dos últimos vinte anos, mas Luc Besson, no alto de sua filmografia eclética de muitos acertos, desconversa e se indispõe toda a vez que lhe perguntam sobre dar continuidade àquela divertida aventura futurista com Bruce Willis, Milla Jovovich, Gary Oldman e Chris Tucker que, felizmente, está bem longe de perder seu encanto. Para Besson, sua menina-dos-olhos da vez reside em sua estimada adaptação de uma série de HQs criadas pela dupla Pierre Christin e Jean-Claude Mézières cujas artes não só influenciaram o estilo do diretor francês como, há mais de 40 anos, foram inspirações de uma bilionária saga espacial situada em uma galáxia muito, muito distante.


A julgar por seu brilhante e elíptico prólogo ao som da cósmica 'Space Oddity', de David Bowie, e por sua produção suntuosa tida como a mais cara realizada na França, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas dá a entender que o imaginativo Luc Besson estava de volta (após os riscos narrativos tomados em Lucy), ainda mais quando os elementos visuais do rico e colorido universo que apresenta aqui são tão bonitos e tão caprichados nos mínimos detalhes que seria difícil enxergar ou botar defeito em meio a tamanho entretenimento. Contudo, bem antes de os espectadores se deslumbrarem com a imensidão de efeitos de ponta e com as culturas alienígenas mui fascinantes (cuja diversidade étnica põe as dos Star Wars empreitados pela Disney em baixa), quem acabou se perdendo no meio da grandiosa cidade Alpha foi o próprio diretor, que também produz e assina o roteiro do filme. Nessa viagem intergalática situada no século 28, existe a essência de uma empolgante aventura que segue à risca as propriedades do gênero, mas o que se vê – e o tanto que se ouve – é uma história cansativa por seu excesso de explicações verbais e, infelizmente, pela quase ausência de carisma de seus personagens principais.



Esforçados, porém raquíticos, Dane DeHaan (Poder Sem Limites) e Cara Delenvigne (Cidades de Papel, Esquadrão Suicida) dificilmente convencem nas peles do Major Valerian e da Sargento Laureline, sobretudo quando são condenados a estabelecer um supérfluo interesse romântico desde a sua cena introdutória, logo quando se há muito a fazer e a correr por planetas e naves. O comandante vivido por Clive Owen não tarda a mostrar seu lado vira-casaca cuja vilania, entretanto, tem impacto ínfimo tal como seu desfecho. Sem receios em apelar para a caricatura, Ethan Hawke tem uma boa participação mesmo sem lá o que tanto fazer senão apresentar uma Rihanna pra lá de dançante que, por sua vez, realiza o sonho de participar de um sci fi não muito depois de ter estrelado o clipe musical de Star Trek: Sem Fronteiras. Bom humor de verdade no filme fica a cargo do trio da espécie Doghan Daguis, sempre apto a barganhar com suas informações preciosas que podem evitar ou aumentar as confusões na jornada dos agentes especiais.


De todos os males, ainda assim, Valerian é um programa de entretenimento muito mais saudável do que qualquer Transformers jamais ousou ser um dia, especialmente quando Besson trata de valorizar em tela o trabalho de vários artistas visuais envolvidos ao respeitar o material original e prover um um certo respiro entre a hegemonia das franquias norte-americanas. Quanto a seus deméritos, paira a dúvida se o tempo – ou uma edição alternativa lançada em home video – estará a favor da sua compreensão e, da mesma forma que o cult de 1997, encontrar um nicho de público tão fascinado quanto.




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