domingo, 11 de junho de 2017

Colossal | CRÍTICA


Brincadeira de gente grande. Assim é possível descrever sumariamente o que se passa em Colossal, longa dirigido e roteirizado pelo histriônico Nacho Vigalondo que, em sua proposta meramente debochada de revisionar os filmes de monstros, perde a oportunidade de fazer uma autêntica fábula denunciando os recorrentes males do gaslighting.


Com problemas de bebedeira, Gloria (Anne Hathaway e uma peruca medonha) vai de mal a pior em Nova York. Não mantém emprego, faz a farra com os amigos e agora Tim (Dan Stevens), seu namorado, a despeja para a rua da amargura. Resta a moça voltar para o interior, mais precisamente para a casa dos pais, e assim tentar uma nova vida onde a atmosfera pacata parece ser propícia a novas oportunidades. O marasmo de Gloria, entretanto, persiste em reinar com colchão de ar até que um amigo de infância, Oscar (Jason Sudeikis), a encontra na rua e a convida para visitar seu bar, gerando novas sessões de biritas com amigos solteirões e dando uma oportunidade para a moça trabalhar ali. Ela só não esperava que sua embriaguez, com direito a zona num parquinho, fosse desencadear eventos monstruosos em Seul, na mui distante Coreia do Sul, vindo a se repetir todas as vezes que a moça passa pelo local e, como ela vem a descobrir, num horário específico e repetindo seus movimentos com exatidão.



A julgar pelos materiais de divulgação, Colossal tinha tudo pra ser um título hilário que mescla ficção científica, fantasia e dramas sociais característicos dos roteiros da Diablo Cody (Jovens Adultos, Ricki And The Flash), tendo como critério principal sua gama de personagens irresponsáveis. Desde então, era evidente que a produção não se resumiria a um filme de monstro, mas são nos respectivos momentos que reside a maior parte da graça do longa, com direito a criaturas bem feitas e cenas que divertem e também provocam tensão tal como um Godzilla no meio urbano. O que é mal executada mesmo é a roteirização como um todo, repleta de cenas repetidas que vão e voltam para a mesa de bar com um papo redundantemente depressivo e que não acresce nada ao público a não ser uma dose crescente de bocejos, bufadas e olhadelas no relógio.

Vigalondo até que tenta e orça subtramas que especulam a decadência americana, a julgar pelo caráter de acumulador de Oscar, pelas desculpas esfarrapadas de Garth (Tim Blake Nelson) para consumir droga no banheiro e pelo machismo executivo refletido em Tim, mas tudo é tratado com pouco caso e, mesmo quando o grande porquê da história demonstra um vislumbre de inventividade e culmina num até que satisfatório desfecho, a ressaca é torpe e previsível demais. Parece que, em sua tentativa de dedurar na ficção os abusos mentais que são acobertados ou tratados como "bobagem" na vida real, o cineasta igualmente acaba desacreditando no potencial de sua protagonista (custava dar um valor positivo mais relevante?) e por nos levar a crer que seu conto de paródia é, mais do que tudo, excepcionalmente intelectual.




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