quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PONTO SEM RETORNO − exercício de distopia vazia | CRÍTICA

Jacob Elordi em PONTO SEM RETORNO


Em um ano que Devoradores de Estrelas foi uma grata surpresa ao nos apresentar uma pré-distopia conduzida com tanta criatividade e materiais fascinantes, era de se esperar que um cineasta de bagagem  como Ridley Scott concedesse à sua adaptação de Ponto Sem Retorno (The Dog Stars, no original) uma jornada pós-apocalíptica tão emblemática quanto os seus maiores exemplares na temática, sem significar ser refém de uma mesma estética a la Blade Runner perpetuamente. O que se vê, no entanto, é de um dos trabalhos mais desinteressados de sua carreira.

A fotografia é feia e cinzenta; o roteiro, paupérrimo. Quase nada acontece ao longo da primeira hora de filme e, quando há algum conflito, remete muito a qualquer ação genérica que já vimos em distopias similares dos últimos quinze anos. Cidades vazias, tipos solitários, escassez de recursos entre outros elementos que vimos em The Last Of Us ou qualquer título parecido. Talvez o nosso único elo seja com o cachorro Jasper que acompanha o personagem de Jacob Elordi, mas isso não é o suficiente para prender a atenção ou que tenha um elemento realmente excitante.


Num todo, a cada novo filme de Ridley Scott, mais tenho a impressão que o veterano mais se desinteressa pelo que captura com as câmeras, ainda mais com seu estranhíssimo método de filmar diversas coisas ao mesmo tempo e acompanhar tudo debaixo de uma tenda, a não ser o interesse de dirigir atores com quem não havia trabalhado anteriormente. Num elenco que temos também Josh Brolin, Margaret Qualley, Guy Pearce e (lá pelas últimas) Allison Janney, a sensação é que tudo poderia ser muito mais lúcido e relevante ao invés desta distopia tão vazia. 



Assista ao trailer:



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