terça-feira, 17 de agosto de 2021

Lamento | CRÍTICA

Marco Ricca em LAMENTO / © Nick Maftum

Direção dos conterrâneos Diego Lopes e Cláudio Bitencourt, que há mais de uma década se dedicam à realização de audiovisuais em Curitiba pela sua Oger Sepol Produções, Lamento marca a estreia da dupla na realização de longa-metragens com um bom elenco, mas sua narrativa dá ao público uma experiência agonizante sobre tempos difíceis.


Com roteiro assinado por Lopes, o longa circunda a vida decadente de Elder (Marco Ricca), proprietário de um hotel decadente que mal consegue pagar a conta de seus poucos funcionários. Seu casamento, como se presume, vai de mal a pior. Praticamente alheio ao que acontece dentro e fora de seu estabelecimento (a cena inicial, envolvendo uma travesti sendo espancada, já prenuncia o comportamento do protagonista) e acossado por um investidor traiçoeiro, as coisas tendem a se movimentar no Hotel Orleans quando um casal (Diegho Kozievitch e Thaila Ayala) decide pernoitar no local e passa a tumultuar não só o ambiente, como a mente de Elder.

O protagonismo apático poda qualquer tipo de envolvimento com o espectador, que deve se sentir vencido pelo cansaço logo no primeiro terço do longa. A jornada decadente de Elder é previsível: a fixação por uma mulher mais jovem e atraente do que sua esposa, o consumo de drogas e psicoses consequentes. É difícil estimar pelo personagem uma vez que as únicas boas relações que tem são com funcionários e ainda via incidentes tão corriqueiros; noutros, aflitivos. Na maioria das vezes, buscamos na ficção personagens que nos levantem e nos satisfaçam temporariamente com suas devidas catarses a fim de escapar de uma realidade terrível, mas isso não acontece aqui.


Ocasionalmente confuso, o filme encontra seus méritos na montagem de Claudio Bitencourt e na direção de fotografia de Felipe Meneghel, que, ao meu ver, tendem a replicar a atmosfera sufocante das produções de David Lynch nos anos 2000 (o que se faz interessante), mas sem os dois pés na estranheza ímpar da filmografia do cineasta. Acertando também na personificação do hotel, Lamento pode não ser um filme fácil a julgar por sua temática, mas deixa evidente a intenção da dupla de cineastas em seguir contando histórias instigantes.



Nenhum comentário:

Postar um comentário