sexta-feira, 17 de junho de 2016

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras | CRÍTICA


Com uma nova fase iniciada em 2014 produzida por Michael Bay e Brad Fuller, As Tartarugas Ninja voltaram a estrelar nos cinemas com físico bombado e personalidade de menos, resultando num roteiro carente de passagens originais, abraçando elementos de outros blockbusters (como os vários Transformers e o discutível O Espetacular Homem-Aranha) e longe de ser cômico como seus primeiros filmes ou a série animada original. Quando anunciam a continuação de um filme que fora mal recebido por público e crítica, espera-se, portanto, uma reparação do que não deu certo, a reconciliação onde todos saem felizes com a experiência vista. Infelizmente, não é esse o caso de As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras.


Pouco tempo depois dos acontecimentos vistos no filme anterior, Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello seguem sua rotina de diversão na noite de Nova York, um passeio cheio de adrenalina que se resume a saltos entre prédios, pedidos de pizzas e jogos de basquete. No entanto, tudo isso é feito na surdina, algo que vai cansando e dividindo os quelônios, ainda mais quando as investigações da repórter (ou não?) April O'Neil (Megan Fox) indicam que o cientista Baxter Stockman (Tyler Perry e uma versão do mal de Neil deGrasse Tyson) tem em mãos uma tecnologia alienígena que pode humanizá-los e assim conviver entre aqueles que parecem ter um estilo de vida tão fascinante. Isso tudo, é claro, depois de Baxter, juntamente com o que restou do "Clã do Pé", iniciar uma operação de resgate do Destruidor (Brian Tee, mais inexpressivo, impossível) no exato momento em que este é transferido para outra prisão, mas o vilão é teletransportado para a dimensão do inteligente alienígena Krang e seu plano nada inédito de dominar a Terra.



É fato que As Tartarugas Ninja demanda muito bom humor, por mais bobo que seja, com muitas cenas de ação abraçando o exagero de seus icônicos personagens. De certa forma, isso tem de sobra em Fora das Sombras e, ao meu ver, a melhor parte vem logo na sequência onde o quarteto tenta impedir a fuga do Destruidor, divertindo por mostrar os apetrechos da van e um combate contra os inimigos mostrando uma boa sintonia de cada tartaruga e suas habilidades marciais. Até mesmo a adição de Stephen Amell, trazendo experiência do gênero com a série Arrow, no papel do vigilante Casey Jones rende boas lutas em cena; mas quando se trata de atuação, é unanimidade que o ator, assim como todo o resto do elenco (vide Will Arnett e seu personagem pouco relevante), estão longe de apresentarem algo que não soe gritante demais.

Um dos (vários) problemas do filme, então, é a pressão auto-imposta de seus realizadores em querer emular, a todo o custo, a mesma experiência que o desenho e os filmes proporcionavam. Além dos já citados Krang e Jones, e também várias referências oitentistas aqui e ali, chega a ser gratificante ver que os nada-inteligentes Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Stephen "Sheamus" Farrelly) não chegaram a ter seus visuais drasticamente repaginados; o que incomoda mesmo é a troca de piadas entre os dois que raramente é repassada para o público em suas excessivas cenas redundantes. Incidente após incidente, as decisões narrativas e gráficas vão parecendo cada vez mais absurdas, não há mote para que os personagens se arrisquem em sacrifícios, ainda mais quando se sugere que Leo, Donnie, Mikey e Raph pretendem se separar por razões contrárias, ignorando os ensinamentos do Mestre Splinter – que, infelizmente, é tratado com pouco caso no filme. Tudo é comprimido para colocar sequências de luta que aumentam em sua extensão e diminuem sua função na história, agilizando a solução dos conflitos.



As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out Of Shadows) engana por enfatizar uma questão existencial em seu subtítulo, logo quando discursos pró-diversidade são cada vez mais urgentes para o nosso cotidiano, independente se a franquia sempre apelou para a comédia pastelão e dificilmente se importou em trazer um discurso aprofundado. Da cena da passeata de Dia das Bruxas onde Michelangelo é aceito por sua "fantasia" (a associação já aconteceu de forma semelhante no desenho) e das próprias discussões do quarteto em querer se aceitar como são, abdicando a chance de se obter uma forma humana, a produção de Michael Bay faz pouco caso do que tinha em mãos e ainda se mantém insistente ao colocar Megan Fox apenas como uma femme fatale provida apenas de uma bela aparência. É como se o resgate nostálgico também trouxesse uma mentalidade que parou no tempo.



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