quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Selma - Uma Luta Pela Igualdade | CRÍTICA


Podem até falar que a escravidão acabou, mas o preconceito e a segregação, querendo ou não, estão entranhados na sociedade até hoje. A liberdade aos negros foi concedida, mas que garantia de vida eles teriam? O século XX foi marcado por revoltas, manifestações e lutas por vários direitos, negados especialmente no sul dos Estados Unidos, onde grandes líderes insurgiram. Dono de um discurso inesquecível, Martin Luther King Jr. é aquele que seguimos em Selma - Uma Luta Pela Igualdade (Selma).


O ano é 1965. O direito ao voto ainda é vetado à população negra estadunidense, que sofre constantes repressões e perseguições de uma grande parcela do povo (branco) do Alabama, e até mesmo as autoridades locais incentivam esse tratamento. King (bem representado por David Oyelowo), recém premiado com um Nobel, enxerga na cidade de Selma uma chance de mudar o jogo e tentar conter outros massacres, velado por uma receosa presidência que não quer perder votos na consecutiva eleição. Com sua voz grave poderosa e eloquente, o ativista vai gradualmente conquistando uma legião, que o venera e se alegra ao chegar perto de seu líder que tão dispostos estão a seguir.


A verdade é que Selma funciona muito bem particularmente em seus momentos de tensão. Carregada de vícios cinematográficos, a diretora Ava DuVernay decupa os planos inserindo movimentos (travellings) a cada instante ou então acompanhando um personagem pelas costas em falsas subjetivas, sem contar no tempo gasto no momento em que Coretta (Carmen Ejogo), esposa de Martin, ouve uma gravação (plantada por agentes do Governo) sugerindo adultério, apenas para justificar o grampeamento da casa. Por outro lado, cada conflito é representado em sequências poderosas e um elenco de apoio bem dedicado, com exceção de uns exageros a parte por Oprah Winfrey (que também produz o longa), na pele da ativista Annie Lee Cooper. Ainda para consagrar a crueldade gratuita do povo conservador, DuVernay recorre a um estilo Zack Snyder e transforma o confronto na ponte de Selma num verdadeiro massacre gráfico, com direito a fumaça e muita ação em câmera lenta.


Ao mesmo tempo em que acerta em mostrar o Presidente Johnson (Tom Wilkinson) como um governante dúbio e estrategista, DuVernay desliza em alguns momentos ao legendar relatórios do governo sobre as andanças de King em grande parte das cenas, sem esquecer da distração causada durante o importante e comovente discurso de Martin Luther King Jr. diante do capitólio de Montgomery, ao contar o destino da maioria dos ativistas envolvidos na marcha, algo que funcionaria melhor em cartelas isoladas antes dos créditos.


Ademais, Selma contém uma ótima seleção de black music, culminando com a comovente 'Glory', de John Legend e Common, possível vencedora em Melhor Canção no Oscar (assim como ganhou no Globo de Ouro).


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