quarta-feira, 20 de julho de 2016

Dois Caras Legais | CRÍTICA


Com um visual bonito e cores fortes em seus figurinos setentistas, Dois Caras Legais segue a história de Holland March (Ryan Gosling) e Jackson Healy (Russel Crowe), dois detetives particulares, que tem seus caminhos cruzados quando Healy é contratado por Amelia (Margaret Qualley) ao mesmo tempo em que March está procurando por ela. A partir daí, o que se vê é uma história insana e que não se esquece de refletir sobre o pessimismo da década pelo humor negro.

Em seu novo filme, o roteirista e diretor Shane Black, que já possui experiência com duplas de policiais com seus roteiros, desde Máquina Mortífera a Beijos e Tiros (muito similar com seu atual lançamento), onde fez um bom trabalho com ambos. O roteiro é bem básico, algo que já visto várias vezes, como em Anjos da Lei, mas menos apelativo. Dois Caras Legais preza pela comédia deixando tudo bem conectado, com exceção do garoto que aparece na primeira cena do filme e uma informação que é dita a ele e move parte da trama, mas não é nada que atrapalhe o roteiro, que por sinal é bem fechado e linear. Por vezes, a narrativa lembra até um típico film noir, com várias cenas se encaixando uma na outra ao decorrer do filme, mas tirando isso, nenhum outro quesito técnico lembra esse estilo, marcado pela sua fotografia contrastante entre o preto e o branco.

Russell Crowe (Gladiador, Robin Hood) não é um ator para comédias, e aqui isso fica claro, principalmente na cena onde Healy cospe a água que estava bebendo, algo um tanto quanto básico na comédia, onde o detetive interpretado por ele é o cara sério, e as piadas em que funcionam em relação a ele sempre são nesse sentido do “policial mal”. O “policial bom”, interpretado por Ryan Gosling, que já vem de algumas comédias como Amor a Toda Prova, consegue entregar uma ótima atuação e acertar melhor o timing de suas piadas, o que dá um equilíbrio ótimo ao filme. O problema maior está na construção da sua personagem, que apresenta uma leve evolução um tanto quanto medíocre, pois do começo ao fim ocorre uma leve evolução de sua personagem com uma redenção com sua filha. Por outro lado, acertaram em seu passado, que responde algumas perguntas em duas cenas rápidas (porém uma leve sensação de desnecessário fica pairando pelo ar). A grande surpresa do elenco é a filha de March, Holly, interpretado pela Angourie Rice (estará ao lado de Tom Holland no novo filme do Homem-Aranha), que surpreende fugindo de clichês de personagens infantis e segue a onda de crianças fortes em filmes e séries (como a Lady Mormont em Game of Thrones).


Um ponto fraco é a demora em algumas piadas (como a deles jogando um corpo pela cerca), o que as deixa previsíveis e sem graça, você fica apenas esperando acontecer cena que deveria ser engraçada. Em determinados momentos, o filme apela para o non-sense, ou pelo menos tenta, como na cena do sonho de March, onde ele vê uma abelha gigante no banco de trás do carro, dando a impressão que Black tenta se ater a narrativa principal enquanto flerta um pouco com o "irreal", mas falha muito e acaba criando uma cena totalmente nada a ver com sua narrativa, sendo o pior plano do filme. Se Dois Caras Legais acerta na ação e na comédia, a inserção de incidentes dramáticos se revela bastante dispensável para o filme.

No fim, Dois Caras Legais (The Nice Guys) é uma comedia agradável e divertida, o filme acerta mesmo que não haja nada tão memorável a ponto de relembrar alguma cena depois de alguns meses, você fica satisfeito ao final e ele consegue entreter com momentos que farão você rir e em nenhum momento sentirá vergonha alheia como em outras comédias. Diferente de Porta dos Fundos: Contrato Vitalício, vale seu ingresso.



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